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Oposição alemã perde votos desde o início da campanha eleitoral | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O maior partido de oposição na Alemanha, a União Democrata Cristã (CDU), liderado por Angela Merkel, vem perdendo votos desde maio, quando foram convocadas as eleições de domingo no país. A CDU e seus aliados liberais poderão conquistar a maioria, mas podem não ter o número de votos necessários para formar o governo. A pesquisa mais recente, divulgada nesta sexta-feira, mostra que o partido de Merkel deverá obter entre 41% e 43% dos votos. Em maio, as pesquisas indicavam que a CDU tinha 49% dos votos. "Essa é a primeira eleição em que eu realmente não posso prever o resultado", disse o analista político Juergen Falter. Alianças Uma aliança da CDU com o Partido dos Liberais Democratas (FDP) para formar um governo de centro-direita permitiria que a soma de votos chegasse a entre 48% e 51% do total, segundo a pesquisa divulgada nesta sexta pelo instituto Forsa. A soma dos votos dos principais partidos de oposição pode ficar entre 45% e 49%. O Partido Social Democrata (SPD) do chanceler Gerhard Schröder deve obter entre 32% e 34% dos votos. No fim de junho, as pesquisas indicavam que o SPD teria 26% dos votos. O Partido Verde, atual aliado do primeiro-ministro, deve ficar com 6% a 7%, segundo a pesquisa divulgada nesta sexta.. O Partido da Esquerda, formado por dissidentes do SPD e ex-integrantes do partido que governava a antiga Alemanha Oriental, receberia entre 7% e 8% dos votos. Estilos A campanha eleitoral evidenciou claramente as diferenças de estilo entre Schröder e Merkel. Em comícios, Schröder caminhava entre os partidários, distribuindo cumprimentos, sorrindo e abanando como um cantor pop entre seus fãs. Merkel ia direto ao palanque e ao ponto: os problemas da Alemanha e o que é preciso ser feito. Depois dos debates na TV, os analistas e comentaristas políticos concluíam que Merkel tinha sido mais bem-sucedida, com forte conhecimento dos temas. Em casa, os telespectadores preferiam o desempenho de Schröder. Mudanças A maioria dos alemães aparentemente quer mudanças, como propõe a líder do partido de oposição. Mas nem todos parecem gostar dos detalhes da proposta de Merkel. "Assim que foram convocadas as eleições, em maio, elas se tornaram automaticamente sobre o que a CDU faria diferente, mais do que sobre quais seiram os planos do SPD", disse o cientista político Gerd Langguth. "E talvez, inevitavelmente, algumas das propostas da CDU parecem dolorosas." Uma delas, um aumento de dois pontos percentuais do Imposto sobre Valor Agregado, é especialmente impopular. O dinheiro seria usado para pagar uma redução as contribuições para a Previdência Social feitas pelos empresários o que, potencialmente, serviria para estimular a oferta de novos empregos. Schröder não apresentou planos tão detalhados e, aparentemente, foi beneficiado pela presença do provável futuro ministro das Finanças de Merkel, Paul Kirchhof, se a CDU ganhar as eleições. As reformas postas em discussão por Kirchhof, que incluem um imposto único e o fim de muitas brechas fiscais, têm sido apontadas pelo SPD como prova de que o partido quer punir os pobres e premiar os ricos. "Na verdade, há elementos verdadeiramente sociais no esquema de Kirchhof, mas a CDU permitiu que o SPD assumisse o controle do assunto", diz o analista político Juergen Falter. Amnésia Na etapa final da campanha, a CDU pareceu não ter segurança sobre sua proposta em relação a Kirchhof, criando uma impressão danosa de desunião. "O que Schröder conseguiu fazer foi que alguns eleitores esquecessem por que essas eleições foram convocadas", disse Eckhard Jesse, professor de Política da Universidade de Chemnitz. Quando se vê o atual chanceler no palanque ou nos debates, ele não parece um homem que passou por uma sucessão de derrotas em eleições locais no ano passado, em meio à insatisfação com seu programa de reformas. Alguns analistas acreditam que um número suficiente de eleitores vai se lembrar disso no domingo e garantir a eleição de uma coalizão de centro-direita, mesmo que seja com margem mínima. No entanto, Schröder ainda não está fazendo as malas e Merkel ainda não está preparando a mudança para a Chancelaria. |
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