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Mortos em Nova Orleans podem chegar a milhares, diz prefeito | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O número de mortos em Nova Orleans por causa do furacão Katrina pode atingir a casa dos milhares, segundo o prefeito da cidade, Ray Nagin. "Sabemos que existe um número significativo de corpos na água" e dentro de casas inundadas. Perguntado sobre quantos, o prefeito disse: "No mínimo, centenas. Provavelmente, milhares". A evacuação de Nova Orleans, ordenada pelo prefeito, começou nesta quarta-feira. A cidade está praticamente coberta pela água, sem eletricidade nem água potável. Cerca de 25 mil desabrigados que se refugiaram ou foram levados para o estádio da cidade, o Superdome, começam a ser transferidos para um outro estádio, em Houston, no Texas, a 560 km de distância. Segundo a rede de TV americana CNN, o primeiro ônibus já chegou ao Astrodome, um antigo estádio que não é mais utilizado para eventos esportivos. O transporte será feito em 475 ônibus e deve demorar dois dias. Quem não tem para onde ir poderá ficar no local até dezembro. Segundo a agência de notícias Associated Press, a evacuação foi pouco divulgada para evitar uma debandada das pessoas. "Eu não me importo para onde eles estão nos levando. Qualquer lugar é melhor do que aqui", disse James Caire, de 49 anos, à Associated Press. Caire só ficou no estádio por seis horas, enquanto muitas pessoas estão lá há dias. Quatro meses Mais cedo, Ray Nagin havia dito que pode demorar até quatro meses até que as pessoas possam retornar à cidade. Equipes de engenharia estão tentando, até agora sem sucesso, consertar os danos nos diques que protegiam Nova Orleans. As barreiras têm o objetivo de evitar inundações na cidade, que está abaixo do nível do mar, mas o vazamento fez com que elas tivessem o efeito inverso e evitassem o escoamento natural da água que vazou pelas brechas. Com a falta de energia elétrica – sem prazo para ser restaurada – as bombas que fazem a drenagem da água não estão funcionando. Brasileiras O consulado do Brasil em Houston espera conseguir localizar as duas turistas brasileiras que estão no Superdome desde domingo entre as pessoas que serão levadas para a cidade texana. "Temos esperança que elas venham e aí poderemos prestar assistência e ajudá-las a voltar pra casa", disse a vice-cônsul, Flavia Passos. Monica Vassão e a amiga Letícia, respectivamente de Curitiba e de Belo Horizonte, que vivem no Estado de Kansas, estavam em férias em Nova Orleans quando foram surpreendidas pelo furacão. De acordo com a mãe de Monica, Vera Lucia Vassão, elas souberam da evacuação obrigatória quando chegaram à cidade no domingo de manhã, mas o aeroporto já estava fechado e elas foram para o Superdome. "Ela me ligou na madrugada, dizendo que tinha ficado seis horas na fila, mas tinha conseguido uma cadeira no estádio e ficaria lá durante a passagem do furacão", contou Vera Lucia por telefone, de Curitiba. Desesperada com as notícias que viu sobre o estrago provocado pelo Katrina, Vera só voltou a falar com a filha na madrugada desta quarta-feira. "Ela telefonou, disse que não podia falar muito, que a situação era muito ruim lá dentro, que faltava água, comida, tinha muita gente doente. Pediu que nós a tirássemos de lá", disse Vera Lucia, ao mesmo tempo aliviada por saber que a filha estava bem e abalada pela descrição que Monica fez do local onde passou os últimos três dias. Há vários relatos de que as condições sanitárias se deterioraram nos últimos dias no Superdome, que na segunda-feira de manhã abrigava cerca de 10 mil pessoas e nos dias seguintes recebeu outros 10 mil que foram resgatados de outros locais na cidade. Sem energia elétrica, o ar condicionado do local não funcionava, numa temperatura superior a 30º C, e os banheiros no local estão entupidos. Telefone O consulado brasileiro em Houston também recebeu informações de que outros seis brasileiros estavam hospedados em hotéis em Nova Orleans. "Eles entraram em contato com a família no Brasil depois do furacão, dizendo que estavam bem, mas não conseguimos contato com eles", disse Flávia Passos. A comunicação telefônica com a cidade está muito difícil. O consulado disse que está em contato com a Defesa Civil americana, mas até agora não recebeu nenhuma informação oficial sobre os brasileiros. O governo federal anunciou nesta quarta-feira à tarde uma grande operação para socorrer as vítimas do furacão. O secretário de Segurança Nacional, Michael Chertoff, disse que 1,7 mil caminhões carregados de material de emergência estavam sendo enviados para as regiões afetadas. O governo federal também anunciou a instalação de 40 centros de emergência médica com capacidade para tratar até 10 mil pessoas. Mais de 11 mil guardas nacionais também foram enviados para o local. A Marinha está mandando oito navios para ajudar no resgate. O presidente George W. Bush, de férias no Texas, antecipou a volta a Washington e sobrevoou o local afetado a caminho da capital. Em pronunciamento em cadeia nacional, ele disse que a recuperação da região afetada poderá levar anos. |
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