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Israelenses começam operação de retirada na Cisjordânia | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Milhares de soldados israelenses entraram na Cisjordânia nesta terça-feira para retirar colonos que resistem a deixar dois assentamentos judaicos estabelecidos no território palestino. Depois de completar o processo de evacuação da Faixa de Gaza, as tropas estão agora nos assentamentos de Homesh e Sanur, duas de um total de quatro colônias a serem esvaziadas na Cisjordânia. Os dois assentamentos ficam em uma área conhecida pelos judeus pelo nome bíblico de Samaria. Após a retirada de Gaza, o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, falaram-se pelo telefone pela primeira vez em dois meses. Segundo informações divulgadas pelo gabinete de Sharon, foi Abbas quem fez o telefonema para dizer que esperava que a saída israelense abrisse uma nova fase nas relações israelo-palestinas. "Passo histórico" Cerca de 8,5 mil colonos foram retirados de 21 assentamentos da Faixa de Gaza, no que foi a primeira retirada voluntária de Israel de terras ocupadas na guerra de 1967. O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, qualificou a retirada como um "passo histórico". O último assentamento a ser esvaziado em Gaza foi o de Netzarim, de onde os colonos saíram com pequena ou nenhuma resistência. Informações divulgadas pela mídia israelense indicam que alguns colonos na Cisjordânia podem recorrer à violência para resistir à retirada. De acordo com esses relatos, um grupo de colonos estaria munido de armas automáticas e granadas. O Exército israelense, por sua vez, diz que pode usar tropas armadas para retirar os colonos – o que seria uma mudança de política em relação ao que foi feito em Gaza, onde os soldados entraram desarmados. O correspondente da BBC Matthew Price, que está no assentamento de Sanur, diz, no entanto, que colonos entregaram as suas armas e prometeram resistir à retirada de forma firme, mas sem violência. O primeiro-ministro israelense, responsável pelo plano de retirada, visitou algumas das tropas envolvidas na operação de retirada e elogiou o seu trabalho. Ariel Sharon também enalteceu a forma como os colonos lidaram com a situação, que ele caracterizou como "muito difícil e dolorosa". A demolição das casas nos assentamentos vazios de Gaza já começou. Quando todas as construções estiverem destruídas, o que deverá levar semanas, e as instalações militares israelenses desativadas, a Autoridade Palestina assumirá responsabilidade por Gaza. Ao mesmo tempo em que abre mão de Gaza, Sharon deixa claro que não pretende sair da Cisjordânia. Em entrevista publicada nesta segunda-feira pelo jornal The Jerusalem Post, o primeiro-ministro prometeu continuar as construções de casas nos demais assentamentos do território. Segundo Sharon, o bloco de assentamentos de Ariel, o maior da Cisjordânia, permanecerá “parte de Israel para sempre, conectado territorialmente a Israel”. Ele afirmou ainda que não haverá “um segundo plano de retirada”. Na semana passada, líderes árabes elogiaram a retirada de Gaza, mas afirmaram que ela teria que ser seguida também pela retirada da Cisjordânia para permitir uma paz duradoura entre palestinos e Israel. O grupo militante palestino Hamas também prometeu continuar sua campanha armada contra Israel depois da retirada de Gaza, com o objetivo de forçar a retirada israelense completa da Cisjordânia e de Jerusalém. "Gaza não é a Palestina", disse um porta-voz do braço armado do Hamas em uma entrevista coletiva na Cidade de Gaza."Quanto a Jerusalém e à Cisjordânia, nós vamos tentar libertá-las pela resistência, bem como a Faixa de Gaza foi liberada", disse ele. |
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