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Atualizado às: 24 de julho, 2005 - 23h00 GMT (20h00 Brasília)
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Passeata condena atentados em balneário egípcio
Velas depositadas em frente ao hotel atingido pela explosão
Este foi o ataque mais grave no Egito desde 1997
Mais de mil pessoas participaram, neste domingo, de um manifestação condenando os atentados que mataram pelo menos 88 pessoas no balneário de Sharm el-Sheikh, ocorrido na madrugada do sábado.

Muitos dos manifestantes são trabalhadores da indústria hoteleira.

Eles acenderam velas e depositaram flores em frente a um hotel destruído pelas explosões.

O governo egípcio disse ter detido 35 pessoas durante as investigações que se seguiram, incluindo alguns beduínos que estão sendo questionados sobre o que um representante do governo chamou de "movimentos incomuns" nas montanhas da Península do Sinai - ao sul da qual fica Sharm el-Sheik.

'Ainda é cedo'

As prisões vieram depois de o presidente do Egito, Hosni Mubarak, prometer perseguir os autores dos ataques. Após visitar sobreviventes das explosões, Mubarak disse que o Egito vai seguir na sua "guerra contra o terrorismo até que ele seja erradicado".

As explosões foram registradas por volta da 1h, hora local (19h da sexta-feira em Brasília).

A primeira bomba teria explodido na região do mercado velho da cidade.

Quinze minutos depois, aparentemente dois carros-comba foram detonados simultaneamente no distrito de Naama Bay, onde estão concentrados hotéis de luxo freqüentados por turistas.

De acordo com agências de notícias, em declaração divulgada num website islâmico, pelo menos uma organização que alega ter ligações com a rede extremista Al-Qaeda assumiu a autoria das explosões.

No entanto, o ministro egípcio do Interior, Habib Al-Adli, disse que ainda é muito cedo para se saber se de fato a Al-Qaeda teve relação com o ocorrido.

Estrangeiros

As autoridades do país disseram que a maioria das vítimas são cidadãos egípcios, mas também há pessoas de outras nacionalidades entre os mortos e feridos.

Um italiano que estava em lua-de-mel e um cidadão tcheco estão entre os mortos.

Uma vítima dos atentados no balneário disse que nunca se sentiu mais assustada na vida.

"A explosão que sentimos foi muito violenta e aqui no hotel nós estamos em estado de choque", disse Samantha Hardcastle. "Foi absolutamente horrível."

"Eu e meu marido estávamos sentados perto do hotel quando uma explosão imensa ocorreu, e outra aconteceu três minutos depois."

Muitos turistas que estavam em Sharm el-Sheik estavam em bares e casas noturnas quando as explosões ocorreram.

Policial

Um policial de Londres que havia ido ao balneário para passar férias depois de trabalhar no caso dos atentados a bomba de duas semanas atrás na capital britânica teve o azar de também testemunhar as explosões no Egito.

"(Eu,) minha mulher e dois amigos estávamos em um café a cerca de 50 metros de onde as explosões aconteceram", disse o policial Charles Ives.

"(Houve) duas explosões no espaço de quatro minutos. Primeiro, uma imensa explosão que causou pânico, (com) muitas pessoas correndo em todas as partes e nós tentamos fugir delas. Nós começamos a correr e, quatro minutos mais tarde, a segunda (explosão) ocorreu".

Uma outra testemunha, Fabio Cassone, disse à BBC que estava no Hard Rock Café de Naama Bay quando ouviu uma primeira explosão, que parecia ser pequena.

"Tudo ficou calmo e, então, poucos segundos depois, uma explosão mais forte causou pânico em massa", disse.

"Nós fomos para fora, para a rua, quando nos deparamos com centenas de pessoas correndo para todos os lados e gritando."

"Nós vimos que a fachada de um hotel foi arrasada, havia estilhaços por toda parte. Havia dois corpos no chão, mas eu não sei se eles estavam mortos", disse Cassone.

Yahia Gabr, uma funcionária do Casino Grand Sinai, disse que um amigo dela estava vindo da região de Naama Bay e estava "chocado, aterrorizado" após ver um carro explodir no meio do balneário.

"Ele viu coisas queimadas dentro do carro, como se fosse carvão, e muita fumaça."

Israel e palestinos

Esta é a primeira vez que Sharm el-Sheik, na Península do Sinai, e os hotéis no distrito de Naama Bay são atingidos por atentados a bomba.

O local é um destino popular de turistas europeus, especialmente nestes meses de verão no hemisfério norte, e neste ano foi palco de um encontro entre líderes de Israel e da autoridade palestina.

Os ataques são os mais graves no Egito desde 1997, quando 62 turistas morreram num atentado na cidade de Luxor.

Em outubro do ano passado, 34 pessoas, incluindo turistas israelenses, morreram em três explosões simultâneas na cidade de Taba, também na Península do Sinai.

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