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Atualizado às: 08 de junho, 2005 - 14h20 GMT (11h20 Brasília)
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Protestos contra governo deixam 20 mortos na Etiópia
Etiópia
As manifestações começaram na segunda-feira
Pelo menos 20 pessoas foram mortas na capital da Etiópia, Addis Abeba, durante confrontos entre a polícia e manifestantes que acusam o partido governante de fraude nas eleições do mês passado.

Correspondentes no local relataram ter visto vários corpos com balas em suas cabeças e afirmam que o hospital Black Lion, na capital, está lotado de pacientes com ferimentos graves.

Segundo ativistas de direitos humanos, o número de mortos é maior. As mortes ocorreram depois que a polícia resolveu reprimir com a força o terceiro dia de protestos. Desde segunda-feira, cerca de 500 pessoas foram presas.

O governo reagiu aos protestos colocando sob prisão domiciliar o líder do principal grupo de oposição, Hailu Shawul, da Coalizão pela Unidade e pela Democracia (CUD). O seu vice também foi detido.

Os manifestantes acusam o partido do governo, a Frente Democrática Revolucionária da População Etíope (EPRDF, na sigla em inglês), de fraude nas eleições gerais realizadas em maio.

Estudantes

De acordo com os manifestantes, a oposição ganhou mais do que as 200 cadeiras que conquistou na última eleição.

O governo teria conquistado 320 assentos e continua com a maioria no Parlamento de 547 cadeiras.

Os estudantes, que são a maioria dos manifestantes, acusam a polícia de abusos. Mas o governo nega, culpando a Coalizão pela Unidade e pela Democracia (CUD) pela violência.

O ministro da Informação, Berekat Simon, disse à BBC que a oposição está tentando derrubar um governo legítimo com uma revolução semelhante à ocorrida este ano na Ucrânia.

As eleições foram vistas como importantes para o processo democrático que caminha lentamente na Etiópia.

Tratou-se da terceira votação desde que o primeiro-ministro, Meles Zenawi, tomou o poder em 1991.

Apesar de ter realizado reformas econômicas no país, Zenawi é acusado de autoritário e antidemocrático.

Mas ele mantém boas relações com os Estados Unidos e a Grã-Bretanha.

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