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Atualizado às: 28 de abril, 2005 - 22h12 GMT (19h12 Brasília)
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Chalabi dá volta por cima e se aproxima do poder no Iraque
Ahmed Chalabi
Ex-líder no exílio é novo vice-premiê e ministro do Petróleo
A indicação de Ahmed Chalabi para cargos importantes no novo governo do Iraque marca a volta por cima de um político que chegou a ser cogitado pelo Pentágono como futuro presidente do país mas que depois caiu em desgraça com os americanos.

Em 2004, Chalabi teve sua casa e escritórios invadidos pelas autoridades e enfrentou uma ordem de prisão por acusações de falsificação de dinheiro.

Agora, ele está de volta ao centro da cena política como um dos vice-primeiro-ministros no gabinete de Ibrahim Jaafari.

Além disso, vai acumular a pasta do Ministério do Petróleo interinamente, enquanto não se chega a um consenso nas negociações sobre o ministro permanente.

Chalabi era muito influente antes da guerra para derrubar Saddam Hussein, em março de 2003.

O seu grupo de oposição no exílio, o Congresso Nacional Iraquiano, era financiado pelos Estados Unidos, que contava com sua rede de contatos na tentativa de obter dados de inteligência.

Irã

Pouco depois da guerra, porém, o governo americano o colocou na geladeira após rumores de que ele estava espionando e passando informações para o Irã.

Ele também perdeu influência porque suas fontes dentro do Iraque sob comando de Saddam teriam exagerado ao relatar sobre os programas de armas de destruição em massa do país – armas que não foram encontradas após a invasão.

Sua queda em desgraça parecia ter sido completa em agosto de 2004, quando um juiz expediu ordens de prisão contra ele e seu sobrinho – acusações que foram retiradas e abafadas no mês seguinte.

O fato de ele ser xiita, secular e pró-Ocidental faziam de Ahmed Chalabi o candidato perfeito, na visão americana, para substituir Saddam.

Após décadas no exílio, ele foi um dos primeiros que o Pentágono levou a Bagdá durante a ofensiva em 2003, para que ele pudesse consolidar suas bases políticas.

Mas rapidamente ficou claro que os iraquianos não confiavam nele, preferindo seus líderes religiosos e tribais, muitos dos quais ficou ao lado da população durante os anos de repressão sob o regime de Saddam.

O passado de Chalabi continuou a assombrá-lo, prejudicando a sua credibilidade entre os iraquianos.

Família rica

Chalabi nasceu em 1945, filho de uma família rica de banqueiros.

Deixou o Iraque em 1956 e até 2003 viveu entre a Grã-Bretanha e os Estados Unidos.

Em meados dos anos 90, ele voltou ao norte do Iraque – controlado pelos curdos – e tentou organizar um levante na região. A iniciativa fracassou e centenas de pessoas morreram.

Depois desse levante fracassado, o Congresso Nacional Iraquiano foi eliminado do norte do Iraque, com a destruição de suas bases pelas tropas de Saddam Hussein.

Representantes da organização fugiram do Iraque, incluindo Chalabi.

Lobista experiente, ele estudou matemática na Universidade de Chicago e no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos.

Freqüentemente, é descrito como uma pessoa controversa, carismática, determinada, habilidosa e astuta.

Ele era acusado por alguns integrantes de outros movimentos de oposição de usar o CNI para promover suas próprias ambições.

Existem também alegações de irregularidades financeiras. Em 1992, Chalabi foi condenado à revelia pela Justiça da Jordânia a 22 anos de prisão e trabalhos forçados por fraude bancária, depois da falência do Petra Bank, que ele tinha criado em 1977.

Chalabi sempre se defendeu, alegando que esse caso era uma conspiração do Iraque contra ele.

Mas o assunto foi verificado posteriormente pelo Departamento de Estado americano, que levantou dúvidas sobre as práticas contábeis do Congresso Nacional Iraquiano.

Antes de voltar ao Iraque, ele chegou a descartar a possibilidade de fazer parte do governo na era pós-Saddam.

Ele não compareceu ao primeiro encontro organizado pelos Estados Unidos entre representantes políticos iraquianos para começar a formar o novo governo. Mandou um assessor em seu lugar.

Para a imprensa árabe, porém, Chalabi é o maior exemplo do colaboracionista americano, um homem que vendeu a alma ao diabo.

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