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Atualizado às: 16 de abril, 2005 - 22h09 GMT (19h09 Brasília)
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Japão condena manifestações contra o país na China
Manifestantes em Xangai
A polícia não reprimiu os protestos
O Japão condenou o governo da China por não impedir uma nova onda de protestos contra o país em várias cidades chinesas.

O ministro do Exterior do Japão, Nobutaka Machimura, disse que apresentará um protesto firme a Pequim, onde deverá estar no domingo.

Milhares de pessoas tomaram as ruas em Xangai, na China, na última de uma série de manifestações contra o Japão.

Os manifestantes, gritando slogans anti-japoneses e carregando bandeiras da China, atiraram ovos e garrafas de plástico contra o consulado do Japão na cidade.

Machimura disse que vai reiterar a exigência de indenização por danos causados durante os protestos.

O correspondente da BBC em Pequim, Lucy Williamson, disse que embora exista um sentimento genuíno contra o Japão no país, o fato de que tenha havido permissão para sua realização indica uma aprovação tácita das autoridades chinesas.

História

Os protestos começaram depois da aprovação, no Japão, de livros escolares que minimizam as atrocidades cometidas no século passado por militares japoneses na China.

Os protestos também foram voltados contra a candidatura do Japão a um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

As manifestações pipocaram no país apesar dos alertas da polícia proibindo os protestos.

A polícia, equipada com capacetes especiais, conseguiu evitar que a multidãso invadisse o consulado.

Na sexta-feira, as autoridades em Pequim divulgaram uma declaração pedindo que os moradores da cidade não participassem de marchas não autorizadas, ou que tomassem qualquer atitude que pudesse prejudicar a estabilidade social.

As autoridades chinesas querem evitar uma repetição dos protestos violentos ocorridos no fim-de-semana passado em Pequim, que enfureceram Tóquio e causaram uma escalada das tensões em ambos os lados.

Correspondentes dizem que distúrbios públicos como esses são incomuns na China, o que poderia indicar um apoio tácito do governo aos protestos.

Segurança reforçada

Em Pequim, as autoridades estão realizando uma operação em larga escala para impedir que seja realizado um protesto na praça da Paz Celestial.

Centenas de policiais foram vistos checando a identidade de pessoas que estavam a caminho da praça.

Um grande contingente de policiais está cuidando da segurança ao redor da embaixada japonesa.

O governo japonês pediu que seus cidadãos residentes na China mantenham a calma e a discrição.

Os protestos causaram uma guerra de palavras entre China e Japão. Tóquio exigiu desculpas e compensações pelos protestos, enquanto a China disse que o Japão deveria "encarar a história" e admitir o sofrimento causado pelas seus soldados na China antes e durante a Segunda Guerra Mundial.

Na quarta-feira, o Japão causou irritação na China por emitir concessões de exploração de petróleo e gás em uma área disputada pelos dois países no Mar da China Oriental.

O porta-voz do Ministério do Exterior da China, Qin Gang, disse que a decisão foi uma "séria provocação contra os direitos da China e as normas de relações internacionais".

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