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EUA e Grã-Bretanha negam que sabiam de contrabando de petróleo | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha refutaram as insinuações do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, de que os dois países teriam feito "vista grossa" para o contrabando de petróleo iraquiano sob o regime de Saddam Hussein. Annan disse que os governos americano e britânico monitoraram mal as sanções contra o Iraque, permitindo que o regime recebesse grandes somas de dinheiro em transações ilegais durante a vigência do programa Petróleo por Comida, que permitiu ao Iraque vender petróleo em troca da compra de chamados "bens civis", e assim reduzir o impacto das sanções impostas contra o país. O porta-voz dos Estados Unidos na ONU, Richard Grenell, disse que Washington não sabia do esquema de contrabando na época. "Há uma diferença fundamental entre contrabando de petróleo, que estava acontecendo sem o nosso conhecimento, e as concessões públicas que foram fornecidas a alguns países", afirmou Grenell. O ministro do Exterior britânico, Jack Straw, também disse que as acusações não eram verdadeiras. Responsabilidade Annan, que tem sido criticado pela corrupção no programa, deu a entender que os Estados Unidos e a Grã-Bretanha deveriam ser parcialmente responsabilizados pela "enorme" quantidade de dinheiro acumulada pelo governo de Saddam Hussein com a venda ilegal de petróleo. "O grosso do dinheiro que Saddam Hussein acumulou veio de contrabando realizado fora do programa, sob as vistas dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha", afirmou Annan. Segundo o secretário-geral, os dois países decidiram ignorar o assunto porque a transação de Saddam era feita com países como a Jordânia e a Turquia, ambos aliados dos governos americano e britânico. O correspondente da BBC Jim Muir disse que a possibilidade de que os americanos não estavam cientes do contrabando não é levada a sério. Junto com os britânicos, eles patrulhavam o norte do Iraque com frequência. US$ 4 bi Investigadores do Senado americano alegam que o regime iraquiano recebeu cerca de US$ 4 bilhões em pagamentos ilegais feitos por empresas petrolíferas envolvidas no programa. Mas o correspondente da BBC em Nova York, Michael Voss, diz que esse número esconde os US$ 14 bilhões que teriam vindo de "quebra de sanções" com a Jordânia e a Turquia. Carregamentos de petróleo eram enviados abertamente aos dois países durante os anos 90 e nunca foram interceptados, apesar do patrulhamento no Golfo Pérsico realizado por forças americanas. Annan desculpou parcialmente o contrabando para a Jordânia e para a Turquia, aceitando que esses países, que não sofriam sanções, tinham o direito de serem recompensados por perdas comerciais. Filho O principal foco de críticas a Kofi Annan é a atuação de seu filho, Kojo, no programa Petróleo por Comida. Em dois relatórios, uma comissão presidida pelo ex-presidente do Fed Paul Volcker questiona a conduta ética do diretor do programa, Benon Sevan, e o envolvimento de Kojo Annan em uma companhia ligada ao projeto. Bill Rammell, do Ministério das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, disse à BBC que o país tomou "atitudes vigorosas" para assegurar que o regime de sanções não fosse comprometido. Em relação às críticas de Annan, Rammell respondeu: "Acho que a ONU tem que aprender com essas lições. Sei que Kofi Annan quer isso, e nós desejamos trabalhar com ele por esse objetivo". Na quinta-feira, um empresário do Estado americano do Texas, um da Grã-Bretanha e um da Bulgária foram indiciados por supostamente terem dado propinas durante o regime de Saddam Hussein. |
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