|
Missão da ONU cobra reformas do governo haitiano | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Integrantes de uma missão do Conselho de Segurança da ONU reuniram-se com o presidente interino do Haiti, Boniface Alexandre, no primeiro dia de uma visita de quatro dias para avaliar a situação no país. A correspondente da BBC em Porto Príncipe, Claire Marshall, informa que o principal assuntos discutido no encontro foi a reforma do sistema judiciário. Liderados pelo embaixador brasileiro na ONU, Ronaldo Sardenberg, os 15 representantes do Conselho mostraram preocupação com um sistema que permite que centenas de pessoas sejam mantidas presas sem acusação formal. "Nós sugerimos que mais esforço precisa ser feito no que diz respeito à reforma do sistema judiciário", afirmou Sardenberg à agência de notícias Associated Press. "Há números enormes de casos que não foram julgados." Entre os prisioneiros, estão o ex-primeiro-ministro Yvon Neptune e outros antigos membros do governo do presidente Jean-Bertrand Aristide que estão presos desde que Aristide foi deposto, em fevereiro do ano passado. Na entrevista à AP, Sardenberg disse que "é claro que houve uma referência a Neptune". O governo interino acusa o ex-primeiro-ministro de organizar a matança de oponentes políticos durante o levante que levou à queda de Aristide. Neptune nega as acusações. Extensão do mandato A missão liderada por Sardenberg também tem o objetivo de avaliar o trabalho da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah), a possível extensão do seu mandato e as condições de haver eleições no país em novembro, como o planejado. O enviado especial da ONU ao Haiti, Jua Gabriel Valdes, disse que a missão, a primeira desde a queda de Aristide, é de "importância transcedental". A ONU tem sido criticada pelo que é visto como uma falta de avanços mais de um ano depois da saída de Aristide. Mesmo com a presença de mais de 7,5 mil soldados da ONU, liderados pelo Brasil, gangues armadas continuam aterrorizando a população. Estima-se que mais de 600 pessoas tenham morrido em episódios violentos nos últimos seis meses. O próprio embaixador Sardenberg disse em entrevista à BBC Brasil, antes de deixar Nova York, que a situação no país é "precária". O mandato de seis meses da Missão de Estabilização da ONU no Haiti vence no fim de maio. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||