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Atualizado às: 11 de abril, 2005 - 04h26 GMT (01h26 Brasília)
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Paramilitares da Colômbia rejeitam nova lei de anistia
AUC, Colômbia
Paramilitares temem que lei levará à prisão de comandantes
O grupo paramilitar de direita Autodefesas Unidas da Colômbia, AUC, anunciou que vai se retirar das conversações de paz e retornar à guerra caso um projeto de lei sobre anistia seja aprovado no país.

A nova legislação, que pretende oferecer uma base para um eventual processo de paz, pode levar o líder das AUC a ser condenado até oito anos de prisão, caso fique comprovado qualquer envolvimento dele com crimes de guerra.

Segundo analistas, os paramilitares são acusados de uma das piores atrocidades cometidas até agora no conflito colombiano, que já dura 41 anos.

O projeto de lei está tramitando no Congresso. O porta-voz dos paramilitares, Ernesto Baez, disse que o governo está perdendo uma chance histórica de alcançar a paz.

Extradição

O correspondente da BBC na Colômbia disse que os paramilitares das AUC também estão preocupados com a possibilidade de extradição para os Estados Unidos por acusações de envolvimento com o tráfico de drogas.

Não existe nenhuma cláusula de proteção para os comandantes da guerrilha. No momento, 10 deles enfrentam ordem de extradição para os Estados Unidos por acusações de tráfico.

As Autodefesas Unidas da Colômbia surgiram de um movimento formado por vigilantes para lutar contras os guerrrilheiros de esquerda como por exemplo os integrantes da Farc, o maior grupo rebelde de esquerda da Colômbia.

As AUC, no entanto, tem sido acusada por seus críticos de matar milhares de colombianos para financiamento próprio através do tráfico de drogas.

Luta

Após uma entrevista coletiva de líderes das AUC a órgãos de imprensa em Santa Fé de Ralito, no norte da Colômbia, o bispo de Apartadó, monsenhor Germán García, disse que o processo "está muito, muito delicado".

O projeto de lei está provocando bastante polêmica e severas críticas na Colômbia por parte de opositores, ativistas dos direitos humanos e políticos independentes.

Segundo eles, a nova legislação não só permite a impunidade perante crimes cruéis, mas também classifica o narcotráfico de crime político.

Até mesmo um aliado do governo, o senador e ex-ministro da Defesa Rafael Pardo desconfia do que já foi aprovado pelo Congresso sobre a lei de anistia.

"Este procedimento penal que foi aprovado não permite nem a investigação, nem a verdade, e nem a participação das vítimas. O Estado está totalmente desfavorecido", disse Pardo numa entrevista ao jornal colombiano El Tiempo.

Até o momento, os 16 mil integrantes das AUC têm restringido sua participação no conflito à luta contra as guerrilhas de esquerda.

Mas caso as negociações fracassem, existem temores de que os paramilitares se voltem contra o governo.

O presidente Álvaro Uribe quer desarmar os paramilitares de direita na tentiva de pôr um fim ao conflito colombiano.

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