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África vê com ceticismo chance de papa ser afriacano | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A Conferência dos Bispos Católicos da África do Sul tratou com ceticismo a possibilidade de que o próximo papa seja africano. "Eu não acho que nós temos um lobby forte para eleger um africano como um papa", afirmou o porta-voz da organização, Buti Tlhagale, segundo a Associação de Imprensa Sul-Africana (Sapa, na sigla em inglês). Apenas 11 dos 117 cardeais que formam o conclave que elegerá o sucessor de João Paulo 2º são africanos. O cardeal nigeriano Francis Arzine, de 72 anos, é o quarto na hierarquia do Vaticano e ele tem sido cotado como um dos favoritos ao lado do italiano Dionigi Tettamanzi. Arinze é tido como carismático, articulado e um clérigo que entende a mídia. Para alguns analistas, assim como João Paulo 2º encarou o comunismo, Arinze poderá ser o papa a enfrentar o desafio da expansão do islamismo. A sua candidatura recebeu o apoio do ex-arcebispo da Igreja anglicana da África do Sul, e Prêmio Nobel da Paz, Desmond Tutu. "Nós esperamos que os cardeais façam com que o primeiro papa não europeu (em séculos) seja sucedido pelo primeiro papa africano (em 1,5 mil anos)", afirmou Tutu. Três na história Karol Wojtyla, nome de batismo de João Paulo 2º, era polonês e a sua eleição, em 1978, quebrou 450 anos de hegemonia de papas italianos. Em toda a história houve três papas africanos, sendo o último deles São Gelásio (492-496). O fato de o catolicismo estar em decadência na Europa e em ascensão no mundo em desenvolvimento alimenta teorias de que a escolha do novo pontífice deverá vir de um país da América Latina ou da África. Com 130 milhões de fiéis, a África concentra um décimo dos católicos do mundo. "O cardeal Arinze tem uma chance muito boa. Ele foi muito leal ao papa João Paulo 2º. Ele é teologicamente conservador e não tem medo de se expressar", disse o especialista em Igreja Católica Geoff Watts à BBC. Watts ressalta ainda que Arinze manteria a política do Vaticano de condenar o uso de preservativos. No entanto, o porta-voz da conferência dos bispos africanos diz que, embora aprecie o aumento do número de fiéis na África, a Igreja não considera que eles estejam "prontos para altas posições". "Eles temem que o paganismo entre pela porta dos fundos", disse o arcebispo Tlhagale. De qualquer forma, o cardeal de Gana Peter Appiah Turkson – que faz parte do conclave que elegerá o novo papa – disse, que ao aumentar o número de cardeais africanos, João Paulo 2º deu mais espaço para a África na estrutura da Igreja. "Eu sempre interpretei a criação desses cardeais como um reconhecimento do crescimento e da maturidade da igreja (africana)", afirmou Turkson. O cardeal, no entanto, não revelou o seu candidato, acrescentando que "todo bispo é um papa em potencial". Tanto Tutu quanto o ex-presidente Nelson Mandela prestaram homenagem ao papa João Paulo 2º. Tutu agradeceu ao seu apoio à luta contra o apartheid. Já o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela disse que se sentia privilegiado por ter conhecido pessoalmente o papa. "O papa João Paulo 2 foi uma voz consistente na articulação da necessidade da regeneração moral e do cuidado pelos pobres e marginalizados", disse Mandela num comunicado. |
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