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Tsunami matou mais mulheres, diz Oxfam | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O tsunami matou muito mais mulheres do que homens, indicam números coletados pela agência humanitária Oxfam na Índia, Indonésia e Sri Lanka. Em determinadas áreas, o número de mulheres mortas é quatro vezes maior do que o de homens, diz a organização num relatório divulgado exatamente três meses depois do desastre. O relatório sugere uma série de razões para explicar o desequilíbrio. Uma delas é que muitas mulheres estavam nas praias esperando os maridos voltarem com os peixes quando as ondas gigantes, detonadas por um poderoso terremoto no leito do Oceano Índico, varreram a costa. Além disso, porque era um domingo, muitas mulheres na província indonésia de Aceh – o local mais afetado – muitas mulheres estavam em casa com as crianças. A maioria dos homens estava em seus barcos no mar, onde o impacto das ondas não foi tão forte. 'Impacto desproporcional' Em quatro vilas do distrito de Aceh Besar, na Indonésia, apenas 189 dos 676 sobreviventes são mulheres – ou seja, existem três homens para cada mulher. Em Kuala Cangkoy, no norte da província de Aceh, 80% das vítimas eram mulheres. O mesmo ocorreu na Índia e no Sri Lanka tiveramproblemas parecidos. No distrito de Cuddalore, o segundo lugar mais afetado pelo tsunami na Índia, agora existem três homens para cada mulher. Em uma vila indiana, Pachaankuppam, só morreram mulheres no tsunami. A diretora de políticas públicas da Oxfam, Becky Buell, alertou para as consequências no desequilíbrio entre os sexos nas regiões afetadas pelo tsunami. "Este impacto desproporcional vai provocar problemas de vários anos a não ser que todos os envolvidos na ajuda à região trate do problema agora." Segundo Buell, já há relatos de estupros, assédios e casamentos forçados nos acampamentso montados para abrigar as vítimas na região. Ela pediu que governos e agências humanitárias trabalhem para assesgurar "a proteção, a inclusão e o fortalecimento" das sobreviventes mulheres. A representante da Oxfam disse ainda que é preciso orientar homens que perderam as suas mulheres a como cuidar dos filhos. Corpos não identificados Estima-se que o desastre tenha matado 273 mil pessoas em todos os países atingidos. Segundo a agência de notícias France Presse, metade desse número ainda não foi identificado no centro montado para esse fim na Tailândia. Um dos médicos envolvidos no processo disse à France Presse que seria "tolo" dizer que a identificação estará completa em menos de "oito a 12 meses". |
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