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Espanha pede mais de 9 mil anos de prisão para argentino | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Promotores espanhóis pediram penas que somam mais de 9 mil anos de prisão para o ex-militar argentino Adolfo Scilingo, acusado de crimes contra a humanidade. O julgamento de Scilingo começou em janeiro. Ele responde a 30 acusações de genocídio, 30 de assassinato, 93 de danos físicos e 255 de terrorismo. Os crimes foram supostamente cometidos nos anos 70 e 80, durante a mais recente ditadura militar da Argentina. Este é o primeiro julgamento na Espanha envolvendo crimes contra a humanidade cometidos em outro país. "O governo procura um veredicto de culpa porque acredita que as acusações foram provadas durante o julgamento", disse a promotora Dolores Delgado ao apresentar os argumentos finais na Audiência Nacional, uma das mais altas instâncias da Justiça espanhola, em Madri. Scilingo, de 58 anos, nega as acusações. Confissão Mas em 1997 ele foi para a Espanha voluntariamente e testemunhou perante o juiz Baltasar Garzon, que estava investigando crimes cometidos durante ditaduras na Argentina e no Chile. Na confissão, gravada em uma fita, Scilingo fala dos chamados "vôos da morte", em que dissidentes eram colocados nus em aviões militares e jogados, drogados e com as mãos amarradas, no oceano. Ele também admitiu ter participado de dois desses vôos e falou sobre torturas que cometeu na Escola Naval de Mecânica em Buenos Aires. Scilingo acabou retirando sua confissão, dizendo que seu testemunho foi fabricado para incentivar uma investigação sobre as atrocidades cometidas durante o regime. Mas Delgado diz que as descrições de torturas e dos centros de tortura, com seus "sons infernais" e "cheiro nauseante", coincidem totalmente com aqueles feitos por ex-oficiais. Scilingo também descreveu como os bebês recém-nascidos na prisão eram levados para adoção para prevenir que eles "tivessem a mesma mentalidade subversiva que seus pais". De acordo com grupos de direitos humanos, cerca de 30 mil pessoas da oposição política foram seqüestradas, presas e depois executadas entre 1976 e 1983. Pela lei espanhola, o tempo de prisão não pode ultrapassar 40 anos, mas é comum que promotores peçam sentenças de centenas ou milhares de anos para membros do ETA, por exemplo. |
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