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Espanha começa a julgar argentino por 'guerra suja' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Um ex-oficial da Marinha da Argentina começou a ser julgado pela Justiça espanhola por delitos cometidos em seu país durante o último governo militar. Acusado de genocídio e terrorismo, Adolfo Scilingo compareceu nesta sexta-feira à Audiência Nacional de Madri. Scilingo confessou, primeiro na Argentina e em seguida diante do juiz Baltasar Garzón, em Madri, sua participação em tortura a presos políticos na chamada "guerra suja" contra dissidentes na Escuela de Mecánica de la Armada (Esma) da Argentina. Ele também reconheceu que participou pessoalmente de dois dos "vôos da morte", nos quais os presos ainda vivos eram jogados ao mar de aviões. Impunidade O ex-militar esteve na Esma em 1977, ano em que desapareceram cerca de 1,5 mil pessoas. Scilingo é o primeiro militar argentino a comparecer em juízo no exterior. "Pela primeira vez em matéria de crimes contra a humanidade, dois tribunais de países diferentes colaboram numa audiência desse tipo, sendo que um dos países é o lugar onde aconteceram os crimes", disse o advogado de acusação popular, Carlos Slepoy. Isso quer dizer que a Justiça argentina assume plenamente a jurisdição espanhola. "Significa que foram dados muitos passos para se quebrar o muro de impunidade derivado das leis de Ponto Final e Obediência Devida sancionadas na Argentina", acrescentou. Scilingo fez suas declarações de forma voluntária. Culpa "Sua consciência tomada de culpa o fez confessar crimes dos quais não se suspeitava que ele tivesse cometido", disse à BBC o jornalista argentino Horacio Verbitsky, que entrevistara Scilingo anteriormente e escreveu, com base nessas conversas, o livro El Vuelo. Mas nem todos compartilham dessa tese que fala em sentimento de culpa. Carlos Slepoy explicou à BBC que o que motivou o militar a falar foi sua ira em relação às Forças Armadas, por tê-lo impedido de ser promovido. Assim, Scilingo "adquire uma notoriedade nacional e internacional com a tranquilidade de que não lhe acontecerá absolutamente nada", por causa de legislação argentina vigente nesse momento. Scilingo viajou a Madri no fim de 1997, convencido de que o juiz Baltasar Garzón não determinaria sua detenção. Depois, o militar se retratou e sustenta desde então ter viajado à Espanha por engano, convencido de que não haveria jurisdição para detê-lo nem julgá-lo. |
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