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Atualizado às: 06 de janeiro, 2005 - 05h59 GMT (03h59 Brasília)
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Annan pede liberação de US$ 977 mi em reunião em Jacarta
Rastro de destruição dos tsunamis
ONU: ajuda imediata deve ser aliada a reconstrução a longo prazo
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, pediu a países doadores reunidos numa conferência em Jacarta, na Indonésia, que coloquem US$ 977 milhões à disposição imediatamente para que a organização possa atender às maiores necessidades das milhões de vítimas do tsunami na Ásia e no oeste da África.

Falando a representantes de Japão, Austrália, China, Estados Unidos e União Européia, Annan disse que este é o valor necessário para restaurar condições básicas a cinco milhões de pessoas.

Mais de US$ 3 bilhões já foram prometidos à região, com a maior parte dos recursos oferecida pelos governos australiano, japonês, canadense, americano, alemão, entre outros.

No entanto, ainda se discute como tornar acessíveis esses recursos e distribuí-los. No caso dos Estados Unidos, por exemplo, o Congresso ainda precisa aprovar a liberação dos US$ 350 milhões prometidos pelo presidente George W. Bush.

Representantes dos países atingidos pelas ondas gigantes que varreram a região depois do mais forte terremoto em 40 anos também estavam presentes na reunião em Jacarta para pedir a liberação dos recursos, assim como o alívio de suas dívidas externas e apoio para a criação de um sistema de alerta para tsunamis que possa evitar uma tragédia semelhante no futuro.

ONGs excluídas

Organizações não-governamentais foram excluídas da reunião, o que, segundo o correspondente da BBC em Jacarta, gerou especulações de corrupção.

A agência humanitária britânica Oxfam fez um apelo para que os países cumpram as suas promessas.

A diretora da entidade, Barbara Stocking, diz que em crises humanitárias no passado – citando especificamente o Afeganistão e a Libéria – apenas uma fração do prometido foi doado ou as doações foram feitas "às custas de outros desastres".

De acordo com o secretário-geral da ONU, pelo menos meio milhão de pessoas ficaram feridas no desastre e mais de um milhão ficaram desabrigadas. Ainda segundo Anna, cerca de dois milhões de pessoas precisam de comida e um número ainda maior carece de água, atendimento médico e saneamento básico.

O valor pedido por Annan seria usado ao longo de seis meses, segundo próprio secretário, com US$ 229 milhões para comida e agricultura; US$ 122 milhões iriam para a saúde, US$ 61 milhões para água e saneamento, US$ 222 milhões para abrigos e outros itens urgentes que não incluem alimentos e US$ 110 milhões para a restauração de atividades econômicas.

Em outro desdobramento da conferência de ajuda aos países afetados pelo tsunami, o ministro do Exterior da Tailândia, Surakiat Sathirathai, disse que o seu país quer ser o centro de um sistema de alarme para tsunamis.

O governo americano, representado pelo secretário de Estado Colin Powell, mostrou-se disposto a ajudar a região a instalar uma operação semelhante à que usa no Oceano Pacífico.

Outra possibilidade seria adaptar uma rede global feita para detectar ameaças nucleares para detectar terremotos e tsunamis. As propostas deverão ser discutidas em mais detalhes numa conferência sobre a redução de riscos de desastres naturais neste mês no Japão.

A correspondente da BBC em Nova York, Barbara Trevelyan, informa que há especulações no meio diplomático de que os Estados Unidos vão desmontar um grupo de coordenação de ajuda cuja formação havia anunciado na semana passada.

O grupo seria formado por Japão, Austrália e Índia e foi visto pela ONU como uma forma de competição com a ONU no papel de líder de operações humanitárias.

Apesar dos esforços internacionais, a Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou nesta quarta-feira que o número de vítimas da tragédia pode dobrar se os sobreviventes não receberem cuidados básicos.

Segundo a OMS, 150 mil pessoas – o mesmo número de pessoas que já morreram – estão correndo "riscos extremos" de morrer de doenças previníveis.

Caso essas pessoas não tenham acesso à água potável até o final desta semana, a OMS teme que um surto de doenças contagiosas possa resultar no mesmo número de vítimas fatais ocasionadas diretamente pelo maremoto.

"Estamos extremamente preocupados com a atual falta de acesso às necessidades básicas", disse o diretor-geral da instituição, Lee Jong-wook, que está em Jacarta, na Indonésia.

Apesar de não haver nenhum registro de surtos de doença na região afetada, a OMS confirmou que os casos isolados de diarréia estão aumentando.

A entidade diz já ter enviado milhões de tabletes para purificação da água aos países do sudeste da Ásia e está organizando kits de saúde emergenciais que podem socorrer 2 milhões de pessoas por um período de três meses. Também serão enviados instrumentos cirúrgicos e tratamentos para diarréia.


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