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Filial da Yukos é vendida por US$ 9 bi sob protestos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A principal unidade de produção da gigante petrolífera russa Yukos foi arrematada neste domingo pelo Baikal Finance Group, uma empresa russa praticamente desconhecida, que ofereceu 260,75 bilhões de rublos (equivalente a R$ 25,4 bilhões) pela Yuganskneftegaz. O preço de venda não chegou nem perto dos cerca de R$ 72 bilhões que a empresa deve por sonegação fiscal e multas, segundo o governo russo. Ao realizar o leilão, o governo russo ignorou uma decisão da Justiça americana que proibia o desmembramento da Yukos. O resultado surpreendeu analistas que esperavam que a favorita – a estatal russa do setor de gás, a Gazprom – fosse comprar a subsidiária da Yukos. A Gazprom e o Baikal Finance Group eram os dois únicos registrados para participar do leilão, mas a estatal acabou não fazendo nenhum lance. No entanto, não se sabe se existe algum grande grupo por trás do obscuro Baikal Finance Group. 'Dor de cabeça' A direção da Yukos afirmou que o grupo Baikal comprou um problema, já que, segundo a empresa, o leilão foi ilegal. "A empresa acredita que o vencedor do leilão de hoje comprou uma séria dor de cabeça de US$ 9 bilhões", afirmou um representante da Yukos, Alexander Shadrin. Ele disse ainda que a empresa vai tomar "todas as medidas legais cabíveis" para recuperar a subsidiária. Há especulações de que o grupo vencedor, que teria se registrado há apenas poucos dias, seja apenas uma fachada para a Gazprom ou para o próprio governo russo. A Gazprom havia conseguido um financiamento com um consórcio de bancos ocidentais para participar do leilão, mas teve a sua linha de crédito congelada por causa da injunção obtida pela Yukos na Justiça americana que protege credores temporariamente. A estatal e o principal banco do consórcio, o Deutsche Bank, apelaram da decisão, mas tiveram o apelo recusado. Protestos O leilão foi realizado, apesar dos protestos de diretores e acionistas da empresa. A empresa havia entrado com um pedido de concordata em um tribunal americano e conseguira um mandado proibindo a venda. Os executivos da Yukos afirmam que o leilão não passa de uma vingança disfarçada do Kremlin contra as ambições políticas do fundador da empresa, Mikhail Khodorkovsky, o homem mais rico da Rússia, que está preso sob acusações de fraude. Por outro lado, o governo da Rússia afirma estar simplesmente cumprindo a lei ao leiloar a Yuganskneftegaz , considerada o coração da Yukos, para recuperar a dívida de mais de US$ 27 bilhões de dólares (cerca de R$ 72 bilhões) que a empresa tem com o governo, entre multas e evasão fiscal. A Yukos já ameaçou contestar a venda em um tribunal fora da Rússia. No sábado, a Justiça dos Estados Unidos decidiu manter a decisão que proibia a venda da subsidiária, mas o governo russo ironizou a determinação, afirmando que o tribunal americano não tem jurisdição na Rússia. |
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