BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 06 de dezembro, 2004 - 16h07 GMT (14h07 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Ex-policial devolve cartas escritas por Mandela na prisão
Nelson Mandela
Mandela reconheceu sua letra, mas havia esquecido cartas
Cartas pessoais escritas pelo ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela durante seus anos na prisão na ilha de Robben acabam de ser tornadas públicas.

Nas cartas, Mandela diz o quanto sente saudades de sua família e seus amigos.

Um policial aposentado, responsável pelo controle da correspondência dos prisioneiros, se apossou dos cadernos nos quais o líder sul-africano fazia o rascunho das cartas e os escondeu por 33 anos. Só há dois meses, resolveu devolvê-los.

Os cadernos contêm 70 cartas, escritas entre 1969 e 1971, segundo o jornal sul-africano Sunday Times.

US$ 3,5 milhões

Todas as cartas foram escritas em inglês, para evitar atrasos quando elas tivessem de passar pela revisão das autoridades do presídio da ilha de Robben, como era de praxe no local.

O policial que estava com as cartas, Donald Card, tinha como missão procurar possíveis mensagens codificadas nessa correspondência.

Card depôs contra Mandela no julgamento de Rivionia, em 1963.

Ele disse que não tinha intenção de vender os cadernos, hoje avaliados em cerca de US$ 3,5 milhões.

"Claro que eu poderia ter vendido, mas eles não eram meus. Eu era um 'tira' e a honestidade era muito importante para mim", afirmou.

Dançarina

Em suas cartas, Mandela fala das lembranças de infância em lugares como Qunu, Umqekezo e sua cidade-natal, Mvezo.

"Há momentos em que meu coração quase pára de bater, retardado pela imensa carga de saudade. Eu adoraria me banhar novamente nas águas de Umbashe, como fiz no começo de 1935", escreveu Mandela em uma das cartas de abril de 1971.

Em um dos cadernos ainda está a foto de uma dançarina com os seios desnudos, membro de uma tribo africana que habitava as ilhas Andaman, perto da costa da Índia.

A foto foi rasgada de um exemplar da revista National Geographic, e Mandela dizia que via nela uma celebração da vida.

As cartas também revelam a dor por que o líder sul-africano passou quando sua mãe e seu filho mais velho, Tembi, morreram com uma diferença de 12 meses, entre 1968 e 1969. Ele lembra que não obteve permissão para ir aos funerais.

Esquecidas

O historiador Cornelius Thomas, da Universidade de Fort Hare, verificou a autenticidade das cartas e confirmou que elas fazem parte de um importante momento da história da África do Sul.

O próprio Mandela reconheceu sua letra, mas disse que havia se esquecido das cartas.

Segundo o diretor da Fundação Nelson Mandela, Verne Harris, o líder sul-africano sempre escreveu os rascunhos de suas cartas em cadernos.

Em sua autobiografia, A Long Walk to Freedom, Mandela dedica apenas quatro páginas ao período coberto pelas cartas. Elas agora estão sendo transcritas como parte de um livro que será lançado no ano que vem.

Enquete global
O mundo está passando por uma crise ambiental?
Alanis MorissetteEm imagens
Famosos participam de campanha por comércio mais justo.
Paul McCartneyMúsica
Ouça trecho das três versões gravadas por artistas contra a fome.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
LINKS EXTERNOS
A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade