|
Diretor de agência nuclear nega 'vingança' contra Bush | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed El-Baradei, negou que tenha divulgado a notícia do desaparecimento de explosivos no Iraque com a intenção de interferir na campanha eleitoral americana. "As acusações (feitas por analistas americanos) são uma completa bobagem", disse El-Baradei à agência de notícias Associated Press. Ele afirmou ter informado o governo dos Estados Unidos sobre o problema em segredo, mas que o jornal The New York Times teria descoberto e publicado a notícia. O desaparecimento de quase 350 toneladas de explosivos de um armazém militar "O momento provavelmente não foi propício, mas existe um mundo fora das eleições americanas", disse. 'Vingança' El-Baradei contou que a AIEA recebeu uma carta do Ministério de Ciência e Tecnologia do Iraque, dizendo que os explosivos desapareceram de uma base militar de Bagdá em 9 de abril de 2003, o mesmo dia em que o governo iraquiano caiu diante das forças americanas. "Eu informei o governo americano na esperança de que eles pudessem encontrar os explosivos antes de a história vir a público", disse El-Baradei. "Mas já que isso ocorreu, eu tive que informar o Conselho de segurança da ONU imediatamente." O diário The Wall Street Journal disse que se tratava de "uma vingança da ONU". "A ONU parece ter depositado o seu voto nas eleições americanas nesta semana", disse o jornal em editorial. "Ela usou toneladas de explosivos de alta potência iraquianos para anunciar sua oposição à reeleição de George W. Bush." O correspondente da BBC no Pentágono, Nick Childs, disse que o assunto virou um emblema político tanto para democratas quanto republicanos, a poucos dias da votação. O senador John Kerry acusou o presidente Bush de incompetência por falhar em assegurar que as forças americanas estavam tomando conta do material. Bush, por sua vez, rebateu o que chamou de "graves acusações" feitas por Kerry. Na sexta-feira, a rede de televisão ABC exibiu um vídeo filmado por uma equipe infiltrada na 101ª Divisão do Exército americano e que mostra as tropas inspecionando explosivos na mesma base militar em 18 de abril de 2003. A ABC disse que especialistas que estudaram o vídeo acreditam que os barris exibidos continham o explosivo HMX, com marcas da ONU nos contêineres lacrados. O ex-inspetor de armas da ONU David Albright disse à ABC que as imagens batiam com aquelas descritas por colegas seus que visitaram a base, e que o lacre da AIEA era visível. Horas mais tarde, o Pentágono realizou uma coletiva de imprensa em que o major Austin Pearson afirma que seu time retirou e depois destruiu 250 toneladas de material do local, inclusive TNT e explosivos plásticos, em 13 de abril de 2003. Apesar disso, nem ele nem o porta-voz do Pentágono, Larry DiRita, conseguiram confirmar se o material fazia parte do que foi lacrado pela AIEA. "Eu não vi nenhum lacre da AIEA nos locais que estamos investigando", disse. A última vez que a agência inspecionou a base foi em janeiro de 2003, mas não teve permissão para voltar ao local após a invasão americana. Analistas acreditam que o roubo levanta a hipótese de que parte dos explosivos pode ter sido usada nos vários ataques contra as forças americanas no Iraque. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||