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Atualizado às: 25 de outubro, 2004 - 20h39 GMT (17h39 Brasília)
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Nobres russos lutam por bens confiscados em 1917
São Petersburgo
Cerca de 100 mil imóveis foram confiscados após a revolução
A Rússia está vivenciando uma batalha pelas propriedades que pertenciam à antiga aristocracia do país e que foram confiscadas após a Revolução de 1917.

O governo de São Petersburgo quer privatizar alguns dos palácios, vendendo-os a quem estiver disposto a pagar mais.

Mas os descendentes da nobreza russa querem os bens de volta, ou pelo menos uma indenização do Estado.

Um exemplo é a princesa Vera Obolensky, cuja família registra 34 gerações de aristocratas, mas que atualmente vive em um bloco de apartamentos na cidade.

Ela acredita que tem direito ao palácio que pertencia à sua família. “É muito bonito, um dos lugares mais belos de São Petersburgo”, disse ela à BBC.

Fuga

Após a revolução, a família da princesa perdeu todas as suas propriedades e fugiu para a França, com disfarces de camponeses.

Vera Obolensky nasceu e foi criada em Paris e só veio a pisar em São Petersburgo após a queda do comunismo. Agora quer recuperar pelo menos parte das propriedades.

Ela não é a única – um grupo de aristocratas que pensa da mesma maneira até já fundou um grupo, chamado Assembléia dos Nobres, a fim de lutar pelo objetivo comum.

Ao todo, cerca de 100 mil imóveis foram confiscados pelos revolucionários comunistas.

A princesa Vera argumenta que, com tantos tesouros arquitetônicos nas mãos do governo, as autoridades não têm o dinheiro nem a especialização necessária para preservá-los da forma mais correta.

É por isso que os imóveis estão sendo colocados agora no mercado, segundo ela. “Eles querem ficar ricos com a venda de edifícios dos quais não sabem como cuidar direito”, critica.

“É uma vergonha e uma desgraça completa.”

Pobres

A situação é complicada pelo fato de que, após o confisco pelo Estado, muitos dos imóveis foram convertidos em prédios de apartamentos para os pobres.

“Se você vê pessoas pobres vivendo em sua antiga propriedade – então que Deus os abençoe”, diz Igor Shaob, um professor universitário cuja família teve suas propriedades confiscadas pelo regime comunista.

“Mas, se você vê autoridades tentando vender o que nunca lhes pertenceu, isso não tem justificativa e merece apenas uma ação na criminal na Justiça.”

Shaob admite, porém, que não tem “nenhuma chance” de recuperar as propriedades.

O analista político Igor Leshukov, do Instituto de Assuntos Internacionais de São Petersburgo, acredita que os melhores imóveis vão acabar nas mãos de pessoas com fortes elos com o governo russo e que poucas delas serão restauradas.

Mas o Comitê de Proteção dos Prédios Privados da cidade, que está planejando a venda das propriedades, negou com veemência que os imóveis serão entregues de mão beijada a quem tiver boas conexões.

“Temos em São Petersburgo a herança cultural de todo o povo russo”, diz Vera Demenchieva, a chefe do comitê.

“E hoje realmente não é possível comprar um bem valioso a um preço baixo.”

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