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Nobres russos lutam por bens confiscados em 1917 | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A Rússia está vivenciando uma batalha pelas propriedades que pertenciam à antiga aristocracia do país e que foram confiscadas após a Revolução de 1917. O governo de São Petersburgo quer privatizar alguns dos palácios, vendendo-os a quem estiver disposto a pagar mais. Mas os descendentes da nobreza russa querem os bens de volta, ou pelo menos uma indenização do Estado. Um exemplo é a princesa Vera Obolensky, cuja família registra 34 gerações de aristocratas, mas que atualmente vive em um bloco de apartamentos na cidade. Ela acredita que tem direito ao palácio que pertencia à sua família. “É muito bonito, um dos lugares mais belos de São Petersburgo”, disse ela à BBC. Fuga Após a revolução, a família da princesa perdeu todas as suas propriedades e fugiu para a França, com disfarces de camponeses. Vera Obolensky nasceu e foi criada em Paris e só veio a pisar em São Petersburgo após a queda do comunismo. Agora quer recuperar pelo menos parte das propriedades. Ela não é a única – um grupo de aristocratas que pensa da mesma maneira até já fundou um grupo, chamado Assembléia dos Nobres, a fim de lutar pelo objetivo comum. Ao todo, cerca de 100 mil imóveis foram confiscados pelos revolucionários comunistas. A princesa Vera argumenta que, com tantos tesouros arquitetônicos nas mãos do governo, as autoridades não têm o dinheiro nem a especialização necessária para preservá-los da forma mais correta. É por isso que os imóveis estão sendo colocados agora no mercado, segundo ela. “Eles querem ficar ricos com a venda de edifícios dos quais não sabem como cuidar direito”, critica. “É uma vergonha e uma desgraça completa.” Pobres A situação é complicada pelo fato de que, após o confisco pelo Estado, muitos dos imóveis foram convertidos em prédios de apartamentos para os pobres. “Se você vê pessoas pobres vivendo em sua antiga propriedade – então que Deus os abençoe”, diz Igor Shaob, um professor universitário cuja família teve suas propriedades confiscadas pelo regime comunista. “Mas, se você vê autoridades tentando vender o que nunca lhes pertenceu, isso não tem justificativa e merece apenas uma ação na criminal na Justiça.” Shaob admite, porém, que não tem “nenhuma chance” de recuperar as propriedades. O analista político Igor Leshukov, do Instituto de Assuntos Internacionais de São Petersburgo, acredita que os melhores imóveis vão acabar nas mãos de pessoas com fortes elos com o governo russo e que poucas delas serão restauradas. Mas o Comitê de Proteção dos Prédios Privados da cidade, que está planejando a venda das propriedades, negou com veemência que os imóveis serão entregues de mão beijada a quem tiver boas conexões. “Temos em São Petersburgo a herança cultural de todo o povo russo”, diz Vera Demenchieva, a chefe do comitê. “E hoje realmente não é possível comprar um bem valioso a um preço baixo.” |
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