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Rússia impõe graves maus tratos a soldados, diz ONG | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A organização não-governamental Human Rights Watch publicou um relatório detalhado do que chama de "violência terrível" cometida contra novos recrutas do Exército russo. O relatório, intitulado The Wrongs of Passage (um trocadilho para "Os Ritos de Passagem"), traz trechos nauseantes. De acordo com o documento, o violento ritual de iniciação dos jovens soldados, conhecido como dedovshchina, não apenas prosseguiu após o fim da União Soviética, como até se intensificou. O sistema dedovshchina se auto-perpetua porque recrutas no primeiro ano do alistamento são suas vítimas e depois, no segundo ano do serviço militar, se tornam algozes, aplicando nos novos soldados os "castigos" semelhantes aos que receberam. Estrutura Como o alistamento dura dois anos e existem dois períodos de convocação militar ao longo do ano, há sempre em cada unidade militar quatro grupos distintos de soldados com diferenças hierárquicas. O sistema envolve primordialmente oficiais que estão cumprindo seus últimos seis meses antes de entrar para a reserva e recrutas. Os oficiais têm o direito de impor suas vontades e de tratar recrutas como pouco mais do que escravos. Caso os recrutas não atendam às ordens de seus superiores, os oficiais impõem punições terrivelmente violentas para firmar sua autoridade. Os soldados recém-chegados toleram essa prática porque sabem que no ano que vem será a vez deles. Mas milhares de recrutas saem do Exército com traumas psicológicos ou fogem de seus regimentos. Centenas acabam mortos ou cometem suicídio. A situação é exacerbada pelo fato de que a maior parte dos recrutas têm pouca instrução e provêm de meios com sérios problemas sociais. Além disso, muitos dos oficiais de patente mais baixa não se importam com o bem-estar de seus soldados e até estimulam tais práticas como sendo uma forma de impor disciplina. Prática antiga Esse tipo de abuso dentro do Exército russo é uma prática que já existe há anos, mas ONGs afirmam que os líderes do país nada fizeram para resolver o problema. De acordo com a Human Rights Watch, deveria ser criado um ombudsman para representar os direitos dos soldados russos. Essa pessoa teria acesso a bases militares a qualquer hora e poderia travar contato a sós com recrutas e ter acesso a documentos e correspondências nos quais eles descrevem os abusos. Segundo a ONG, a dedovshchina não é meramente um assunto russo, uma vez que a prática impede que a Rússia de seguir convenções internacionais e obrigações humanitárias firmadas pelo governo do país. As autoridades russas, no entanto, não possuem um histórico de ceder à pressão de organizações não-governamentais. |
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