|
Republicanos buscam apoio com convenção em NY | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Partido Republicano dos Estados Unidos deu início nesta segunda-feira, pela primeira vez na história, a uma convenção nacional em Nova York, no ginásio Madison Square Garden. O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, deu as boas-vindas aos delegados presentes. "Eu gostaria de agradecer ao presidente Bush por apoiar a cidade de Nova York na mudança da fórmula de financiamento da segurança e por liderar a guerra global ao terrorismo", disse o prefeito nova-iorquino. Bloomberg, no entanto, é um dos que acreditam que a plataforma do partido está muito concentrada em questões sociais, e não em fazer a economia funcionar. O presidente do Partido Republicano, Ed Gillespie, disse aos milhares de delegados que a convenção oferece a oportunidade de levar o partido à vitória nas eleições em novembro. Manifestantes A convenção, que vai até quinta-feira, deve reunir cerca de 5 mil delegados republicanos para confirmar a chapa formada pelo presidente George W. Bush e seu vice, Dick Cheney, à reeleição para a Casa Branca. Durante o evento, a cidade espera receber cerca de 50 mil visitantes, a maioria deles manifestantes contrários a George W. Bush. Eles planejam uma série de protestos e manifestações sobre diversos temas, incluindo a guerra do Iraque, direitos civis e trabalhistas. Neste domingo, um protesto já reuniu cerca de 250 mil pessoas, segundo seus organizadores. Protegida por um esquema de segurança inédito no país, que custará cerca de US$ 60 milhões e contará com mais de 40 mil policiais, a convenção republicana foi planejada para reafirmar a imagem de Bush como um estadista "implacável e resoluto" na era da chamada "guerra contra o terror". Recepção fria Escolhida para sediar a convenção do Partido Republicano logo depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, quando Bush gozava de alta aprovação popular, Nova York deveria ser o cenário ideal para sua plataforma conservadora. Mas, devido ao revés em sua política externa e à incerteza que ronda a recuperação econômica dos Estados Unidos, Bush e seus partidários devem ter uma recepção fria, senão hostil, entre os nova-iorquinos, que tradicionalmente votam no candidato democrata à Presidência. "Acredito que, se a escolha fosse feita hoje, eles (os republicanos) teriam dúvidas sobre vir a Nova York em setembro, tão perto da data que marca os três anos dos ataques de 2001", disse o cientista político Robert Shapiro, da Universidade Columbia, à repórter Angela Pimenta, da BBC Brasil. "Se as coisas estivessem indo melhor em relação à guerra contra o terror, a convenção em Nova York teria um valor simbólico e político palpável para os republicanos", afirmou Shapiro. "Mas hoje as coisas parecem incertas a esse respeito." Moderados Atualmente, Bush goza de baixa popularidade entre os nova-iorquinos, de acordo com pesquisas recentes. Um levantamento realizado pela Universidade de Quinnipiac revelou que 70% dos moradores de Nova York desaprovam o governo Bush, enquanto 25% são favoráveis a ele. Para atrair uma pequena parcela de eleitores que ainda não escolheram seu candidato – e que por isso devem decidir a eleição –, os republicanos escalaram as principais estrelas da ala moderada do partido como oradores da convenção: o ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani, o governador da Califórnia, Arnold Schwarznegger, e o senador pelo Arizona John McCain. "Acredito que esses oradores certamente ajudarão os republicanos a serem percebidos como mais moderados e inclusivos", disse Shapiro. Iraque Mas, para o cientista político, o que vai decidir a eleição é a maneira como o público vê o governo Bush em relação ao Iraque, à guerra contra o terror e à economia. Na disputa contra o senador democrata John Kerry, o grande trunfo de Bush é a sua imagem como um líder decidido, como revelam as últimas pesquisas, entre as quais a promovida pelo Centro de Pesquisas Pew para o Povo e a Imprensa. "Nossa pesquisa mostra os dois lados da liderança de Bush", disse Carroll Doherty, editor de pesquisas do Pew. "Não existe dúvida de que os americanos o vêem como um sujeito teimoso: 68% dos entrevistados disseram isso. Ao mesmo tempo, 62% dizem que ele é capaz de tomar decisões, uma característica importante para um líder." Já com relação a Kerry, apenas 29% dos entrevistados o consideram um líder decidido, enquanto 45% disseram que o candidato democrata muda demais de opinião. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||