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Atualizado às: 27 de agosto, 2004 - 04h32 GMT (01h32 Brasília)
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Italiano mantido como refém 'é morto' no Iraque
Enzo Baldoni
Enzo Baldoni estava trabalhando para uma revista de Milão
Um canal de TV árabe afirmou ter recebido um vídeo mostrando que o jornalista italiano Enzo Baldoni teria sido morto pelos militantes iraquianos que o seqüestraram.

Um grupo se denominando como Exército Islâmico disse ter matado Baldoni depois que a Itália se recusou a retirar suas tropas do Iraque, segundo a TV Al-Jazzera.

O governo italiano está tentando confirmar as informações. O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, descreveu o suposto assassinato como um "ato de barbárie".

O repórter desapareceu no dia 19 de agosto, e o corpo do motorista dele foi depois encontrado perto da cidade de Najaf.

Os seqüestradores de Baldoni divulgaram um comunicado através na TV al-Jazeera, na terça-feira, exigindo que o governo italiano retirasse os 3 mil soldados que têm no Iraque em 48 horas.

A Itália disse não ter nenhuma intenção de retirar suas tropas do Iraque, mas afirmou estar comprometida com a segurança do jornalista.

Ao receber a notícia da morte do jornalista nesta quinta-feira, o premiê italiano Silvio Berlusconi disse:

"Não há palavras para descrever esse ato desumano que destrói séculos de civilização e nos leva de volta à era da barbárie".

Ele acrescentou que a Itália iria manter os seus compromissos no Iraque.

'Imagens horríveis'

O vídeo divulgado pela al.Jazeera na quinta-feira aparentemente mostra o jornalista falando para a câmara em frente de uma bandeira do grupo, mas não é possível ouvir nenhum áudio.

O canal de TV disse também ter imagens do corpo do repórter, mas afirmou que não iria transmití-las em respeito à família da vítima.

Uma fonte italiana que viu todo o vídeo obtido pela al-Jazeera disse à agência de notícias AFP que o material continha "imagens horríveis".

Os colegas de Baldoni na revista Diario, em Milão, estavam chocados com a notícia da morte do jornalista.

"Nós estávamos tão otimistas - nós não conseguíamos acreditar que ele não iria ser libertado", disse Gianni Barbacetto à AFP.

Trabalho humanitário

Baldoni, de 56 anos, também trabalhou como voluntário para a Cruz Vermelha no Iraque.

"Ele estava tentando salvar vidas humanas em Najaf, ajudando os enviados da Cruz Vermelha com um espírito de solidariedade que sempre marcou a sua maneira de pensar e as suas ações", a filha de Baldoni, Gabriella, disse a um canal de TV italiano na quarta-feira.

Em abril, quatro italianos haviam sido seqüestrados no Iraque. Um deles, o guarda de segurança civil Fabrizio Quattrocchi, foi depois morto por seus seqüestradores.

Os outros três acabaram sendo soltos sem ferimentos.

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