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Atualizado às: 09 de julho, 2004 - 17h25 GMT (14h25 Brasília)
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Tire suas dúvidas: A barreira de Israel
A barreira de Israel nos territórios palestinos na Cisjordânia
A barreira de Israel nos territórios palestinos na Cisjordânia
Considerada ilegal pela Corte Internacional de Justiça, a barreira que corta a Cisjordânia tem gerado controvérsias desde que o governo de Israel decidiu construí-la, em 2002.

Leia a seguir algumas perguntas e respostas sobre a barreira e suas conseqüências para o processo de paz do Oriente Médio.

Quais são os próximos passos após a decisão da Corte Internacional de Justiça?

O tribunal de Haia recomendou à ONU que tome medidas para interromper a construção por Israel da barreira e para que os palestinos prejudicados sejam indenizados.

Não cabe recurso ao veredicto, mas a sua decisão não precisa obrigatoriamente ser atendida.

Se uma das partes envolvidas no caso, no caso os palestinos, se achar injustiçada com a negativa de Israel em desfazer a barreira, pode tentar levar o caso ao Conselho de Segurança da ONU.

Como aliado de Israel, porém, os Estados Unidos, um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, costumam vetar projetos de resoluções do gênero.

Com isso, outra alternativa para os palestinos seria buscar uma condenação à barreira israelense na Assembléia Geral da ONU, o que seria uma derrota moral para Israel, mas que não obrigaria o país a respeitar a decisão da Corte Internacional de Justiça.

Como é essa barreira?

Trata-se de uma estrutura que deverá percorrer 700 km. Parte dela é composta de muros, parte de cercas, tudo sobre uma base de concreto e em muitos pontos com arames farpados.

Num dos lados, há uma vala de quatro metros de profundidade. Além disso, a barreira está dotada de sensores eletrônicos e o solo em suas proximidades foi equipado para que as autoridades isralenses possam detectar se alguém pisa ali.

Há também parte em que o muro é inteiro e de concreto, com torres de observação. É o caso da porção erguida perto da cidade palestina de Qalqilya, onde a barreira tem como maior objetivo impedir que atiradores de elite palestinos disparem contra carros que trafegam por uma grande estrada israelense do outro lado.

Por que Israel decidiu construir a barreira?

O governo adotou o plano afirmando que ela é essencial para impedir a entrada em Israel de homens-bomba palestinos, que têm a população civil do país como alvo.

A hesitação inicial do governo em construir a barreira pode ser explicada pela relutância de muitos ministros linha-dura em fazer uma estrutura que poderia ser vista como a futura fronteira entre Israel e os palestinos. Eles temiam que alguns assentamentos judaicos estabelecidos nos territórios ocupados ficassem deixados do lado de fora.

Quais são as principais críticas aos planos de erguer a barreira?

Para os críticos de Israel, o plano sintetiza tudo o que há de errado com relação à ocupação de terras palestinas e a forma como Israel encara o processo de paz com seus vizinhos árabes.

Terra palestina tem sido confiscada para a construção da barreira. Centenas de fazendeiros e comerciantes palestinos estão sendo privados de suas terras e dos seus meios de sobrevivência.

Acima de tudo, a barreira cria uma realidade concreta, impondo soluções unilaterais antes mesmo de eventuais negociações de paz israelo-palestinas no futuro.

Por que Israel não construiu a barreira sobre a antiga fronteira de 1967?

Os palestinos dizem que a construção de uma cerca ao redor da Cisjordânia teria mostrado que Israel tem sérias intenções de acabar a ocupação – a exigência mínima para terminar o conflito, pelo menos do ponto de vista palestino.

O traçado atual da barreira é visto com suspeição pelos palestinos, que dizem se tratar de uma jogada do governo israelense para confiná-los em apenas 42% do território da Cisjordânia.

Mas Israel argumenta que a barreira tem apenas a finalidade de garantir a sua segurança, e não a de demarcar uma futura fronteira. E que não há nada que impeça que o seu traçado seja mudado depois.

Qual é a posição dos Estados Unidos?

Washington, que tenta manter vivo o o processo de paz no Oriente Médio, vê a barreira como algo problemático porque ela prejudica as relações entre as duas partes.

Em abril de 2004, o presidente George W. Bush descreveu a política americana da seguinte maneira:

"Como disse o governo de Israel, a barreira que está sendo erguida deve ser de segurança, e não política; deve ser temporária, e não permanente; e assim deve não prejudicar as questões sobre o estatuto final, incluindo as fronteiras finais. A sua rota deve levar em consideração o impacto sobre os palestinos que não estão envolvidos em atividades terroristas".

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