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Atualizado às: 05 de julho, 2004 - 04h05 GMT (01h05 Brasília)
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Eurocopa consagra futebol de resultados da Grécia

Otto Rehhagel
Otto Rehhagel, o técnico da Grécia, foi o arquiteto da vitória
A seleção da Grécia protagonizou uma das maiores surpresas da história do futebol mundial ao frustrar a festa dos portugueses e conquistar o título de campeã da Eurocopa, depois de bater favoritos como a França e a República Checa.

Ao longo da caminhada rumo à final em Lisboa, os gregos tiveram como marca uma forte marcação, uma defesa muito bem organizada e um estilo de jogo pragmático. A receita da equipe era jogar recuada, sair em contra-ataques e explorar os erros dos adversários.

E foi assim desde o começo, com a vitória contra Portugal na abertura do torneio, na cidade do Porto, até o segundo triunfo sobre os portugueses, na decisão da Eurocopa, no Estádio da Luz. No meio do caminho, apenas uma derrota: contra a Rússia, quando a equipe grega podia se dar ao luxo de perder.

A maior vítima foi, sem dúvida, a seleção de Portugal, derrotada duas vezes, diante da própria torcida, e no papel de dona da festa. O futebol de resultados da Grécia, sob o comando do treinador alemão Otto Rehhagel, foi implacável: puniu as falhas dos adversários sem piedade e terminou com a consagração do título europeu.

Bola parada

Na partida que decidiu a Eurocopa, os gregos ignoraram a superioridade técnica da seleção de Portugal e impuseram o seu ritmo de jogo. Os portugueses tinham a posse de bola, mas não conseguiam produzir chances claras de gol e, quando saía no contra-ataque, a equipe da Grécia era mais perigosa.

Assim como já havia acontecido contra a República Checa, o lance decisivo a favor dos gregos saiu de um lance de bola parada. Na cobrança de escanteio de Basinas, o atacante Charisteas subiu mais que o português Costinha e marcou o gol que acabaria com o sonho de Portugal de vencer o título mais importante de sua história em casa.

Fãs da Grécia
Fãs vibraram com vitória histórcia

Ao longo do jogo, a defesa grega anulou as principais armas da seleção portuguesa: Deco não tinha espaço para dar seus passes longos, Figo e Cristiano Ronaldo estavam sempre cercados por pelo menos dois jogadores e o atacante Pauleta era engolido pela dupla de zagueiros da Grécia.

Quando recuperavam a bola, com a liderança do capitão Zagorakis, os gregos partiam em velocidade. As principais rotas de ataque passavam pelos pés do lateral Seitaridis e do atacante Charisteas, dois jogadores incansáveis, capazes de atacar e defender com a mesma intensidade.

Invasão

Nas poucas oportunidades em que a seleção de Portugal conseguiu chegar perto do gol, o zagueiro Dellas, que realizou mais uma grande atuação no torneio, tratou de afastar o perigo.

Nos minutos finais, a equipe portuguesa tentou partir em massa para o ataque, na esperança de conseguir o empate na base da pressão. Não adiantou. A rede do gol da Grécia só foi balançada pelo corpo de um torcedor catalão, que driblou os seguranças, invadiu o campo e teve o seu momento de fama.

Com uma camisa em que divulgava o seu site, o ‘Jimmy Jump’ jogou uma bandeira do Barcelona no rosto de Figo – odiado por boa parte dos torcedores do clube catalão desde que trocou o Barça pelo Real Madrid – e se atirou na rede do gol grego antes de ser detido pelos lentos seguranças do Estádio da Luz.

O incidente serviu apenas para esfriar a pressão portuguesa e, a partir de então, o jogo passou a ser uma contagem regressiva para a vitória da Grécia.

Barulho grego

Quando o árbitro alemão Markus Merk apitou o fim da partida, o silêncio dos portugueses contrastava com o barulho da festa dos torcedores gregos que se concentravam em um dos cantos do estádio.

Em campo, os jogadores da Grécia comemoravam, Cristiano Ronaldo chorava e seus companheiros encaravam o chão. Nas tribunas, o primeiro-ministro português, José Manuel Durão Barroso, e o presidente Jorge Sampaio não conseguiam esconder a expressão de decepção.

Na cerimônia de premiação, o maior jogador da história do futebol português, Eusébio, também abatido com a derrota de Portugal, observou o capitão grego Zagorakis erguer o troféu e comandar a volta olímpica dos novos campeões da Europa.

Em um torneio em que as grandes potências do futebol europeu decepcionaram, a Grécia roubou a festa dos portugueses e agora parte de volta para a casa, onde será anfitriã dos Jogos Olímpicos, com a taça que conquistou com retranca e determinação.

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