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Atualizado às: 02 de julho, 2004 - 00h03 GMT (21h03 Brasília)
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'Piqueteiros' mudam tática e planejam mais protestos na Argentina

"Piqueteiros" argentinos
Movimento dos “piqueteiros” surgiu há quase sete anos
Os “piqueteiros” argentinos – trabalhadores desempregados conhecidos por suas manifestações - mudaram de tática e intensificaram suas ações, com a ocupação de empresas e liberando pedágio de estradas.

Diferentes pesquisas de opinião indicam que, com a mudança, eles estão virando pesadelo para empresários e cansando a classe média da Argentina.

Nesse clima, os piqueteiros, que surgiram há quase sete anos e cresceram desde então, vão realizar nessa sexta-feira mais protestos, desta vez motivados pela morte de um dos manifestantes na semana passada.

Ariel Lusso, da organização piqueteira de oposição Pólo Operário, e Luis D’Elia, da Federação Terra e Vivenda (FTV), que apóia o governo, disseram que estão sendo planejadas passeatas em diferentes pontos do país e um ato público em Buenos Aires. Simpatizantes do movimento também estão sendo convidados a fazer uma greve.

Piqueteiros na Argentina
Surgiram em 1997
Pelo menos quarenta grupos
Quatro linhas ideológicas
Cerca de 100 mil filiados
Média mensal de 250 manifestações nos últimos dois anos
Fonte: consultoria Centro de Estudos União para a Nova Maioria e Luis D’Elia, líder piqueteiro

Divisão

Atualmente, além de reclamar contra o desemprego, os piqueteiros pedem a suspensão do pagamento da dívida externa e recriminam outras medidas oficiais como o envio de tropas ao Haiti, por exemplo.

Mas, pouco mais de um ano após o início do governo de Néstor Kirchner, eles estão divididos entre os que são simpatizantes da Casa Rosada e os que rejeitam a política oficial.

Estes últimos, disse Ariel Lusso, passaram a inspirar qualquer tipo de protesto realizado na Argentina.

Luis D'Elia disse que as diferentes linhas do movimento piqueteiro voltaram a se unir, na semana passada, justamente porque ocorreu o assassinato do manifestante.

Nos últimos dias, os piqueteiros contrários ao governo entraram no prédio da Repsol-YPF, no saguão do hotel Sheraton, em busca dos técnicos da missão do (FMI) Fundo Monetário Internacional, ali hospedados, e ocuparam lojas da rede McDonald’s.

 O piquete não se restringe a ocupação de empresas, mas agora decidiram só falar nisso e não nos protestos que realizamos na porta de empresas, pedindo mais trabalho. O problema agora é que Kirchner decidiu apostar no desgaste político do nosso movimento enquanto o ex-presidente Eduardo Duhalde pede repressão às nossas ações. Não está correto.
Ariel Lusso, da organização piqueteira Pólo Operário

As cenas, mostradas ao vivo pela TV, levaram o jornal El Cronista a informar que várias empresas estão elaborando um “manual de sobrevivência” aos piquetes.

Para D'Elia, os mais radicais vão manter, por algum tempo, as medidas mais intensas. No entanto, a tendência é que eles voltem a lutar mais por empregos, mesmo temporários.

Ariel Lusso, por sua vez, acredita que as manifestações vão ser mantidas como estão, por causa de dados sociais negativos como a concentração de riqueza – que, segundo estatísticas oficiais, é a maior em trinta anos.

Empresários

As ações piqueteiras provocaram queixas de empresários como os brasileiros Eloi Rodrigues de Almeida, presidente do Grupo Brasil (que reúne empresas brasileiras na Argentina), e Adalberto Bertoli Júnior, da companhia Duas Rodas.

“Essa é uma situação bastante delicada”, avaliou Bertoli. “Eles começaram quando precisavam do programa de ajuda do governo (...), mas isso passou a ser uma espécie de cabide de emprego, porque não gera trabalho.”

 Não entendo nada sobre o objetivo dos piqueteiros. Só sei que moro na província de Buenos Aires e trabalho na capital e muitas vezes fico horas parada no trânsito, porque eles o interrompem. Além disso, tenho medo porque muitos costumam usar o rosto coberto e usam paus para fazer a segurança deles. Tudo isso me preocupa.
Elba de Simeone, empregada doméstica de 60 anos

O empresário se referiu à ajuda de 150 pesos distribuída pelo governo e pelos líderes piqueteiros aos que se declaram desempregados. “O governo deve tomar medidas para proteger o empresariado e o cidadão.”

Para o cientista político Rosendo Fraga, da consultoria Centro de Estudos União para a Nova Maioria, se o governo não decidir “atuar”, os piqueteiros mais radicais vão continuar “incrementando a ação de coerção” nas ruas.

Hoje, Fraga avalia que 85% da população está contra os "piquetes" e a ocupação de empresas e cansada de enfrentar os bloqueios no trânsito.

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