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'Piqueteiros' mudam tática e planejam mais protestos na Argentina | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os “piqueteiros” argentinos – trabalhadores desempregados conhecidos por suas manifestações - mudaram de tática e intensificaram suas ações, com a ocupação de empresas e liberando pedágio de estradas. Diferentes pesquisas de opinião indicam que, com a mudança, eles estão virando pesadelo para empresários e cansando a classe média da Argentina. Nesse clima, os piqueteiros, que surgiram há quase sete anos e cresceram desde então, vão realizar nessa sexta-feira mais protestos, desta vez motivados pela morte de um dos manifestantes na semana passada. Ariel Lusso, da organização piqueteira de oposição Pólo Operário, e Luis D’Elia, da Federação Terra e Vivenda (FTV), que apóia o governo, disseram que estão sendo planejadas passeatas em diferentes pontos do país e um ato público em Buenos Aires. Simpatizantes do movimento também estão sendo convidados a fazer uma greve.
Divisão Atualmente, além de reclamar contra o desemprego, os piqueteiros pedem a suspensão do pagamento da dívida externa e recriminam outras medidas oficiais como o envio de tropas ao Haiti, por exemplo. Mas, pouco mais de um ano após o início do governo de Néstor Kirchner, eles estão divididos entre os que são simpatizantes da Casa Rosada e os que rejeitam a política oficial. Estes últimos, disse Ariel Lusso, passaram a inspirar qualquer tipo de protesto realizado na Argentina. Luis D'Elia disse que as diferentes linhas do movimento piqueteiro voltaram a se unir, na semana passada, justamente porque ocorreu o assassinato do manifestante. Nos últimos dias, os piqueteiros contrários ao governo entraram no prédio da Repsol-YPF, no saguão do hotel Sheraton, em busca dos técnicos da missão do (FMI) Fundo Monetário Internacional, ali hospedados, e ocuparam lojas da rede McDonald’s. As cenas, mostradas ao vivo pela TV, levaram o jornal El Cronista a informar que várias empresas estão elaborando um “manual de sobrevivência” aos piquetes. Para D'Elia, os mais radicais vão manter, por algum tempo, as medidas mais intensas. No entanto, a tendência é que eles voltem a lutar mais por empregos, mesmo temporários. Ariel Lusso, por sua vez, acredita que as manifestações vão ser mantidas como estão, por causa de dados sociais negativos como a concentração de riqueza – que, segundo estatísticas oficiais, é a maior em trinta anos. Empresários As ações piqueteiras provocaram queixas de empresários como os brasileiros Eloi Rodrigues de Almeida, presidente do Grupo Brasil (que reúne empresas brasileiras na Argentina), e Adalberto Bertoli Júnior, da companhia Duas Rodas. “Essa é uma situação bastante delicada”, avaliou Bertoli. “Eles começaram quando precisavam do programa de ajuda do governo (...), mas isso passou a ser uma espécie de cabide de emprego, porque não gera trabalho.” O empresário se referiu à ajuda de 150 pesos distribuída pelo governo e pelos líderes piqueteiros aos que se declaram desempregados. “O governo deve tomar medidas para proteger o empresariado e o cidadão.” Para o cientista político Rosendo Fraga, da consultoria Centro de Estudos União para a Nova Maioria, se o governo não decidir “atuar”, os piqueteiros mais radicais vão continuar “incrementando a ação de coerção” nas ruas. Hoje, Fraga avalia que 85% da população está contra os "piquetes" e a ocupação de empresas e cansada de enfrentar os bloqueios no trânsito. |
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