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Atualizado às: 28 de junho, 2004 - 12h36 GMT (09h36 Brasília)
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Análise: Transição antecipada é um golpe de propaganda

Paul Bremer (dir.) passa o poder ao premiê Allawi (centro) e ao juíz Mahmoud (esq.)
Paul Bremer (dir.), Allawi e Mahmoud em "dia histórico"
A inesperada antecipação da transferência de soberania no Iraque foi, para o novo governo interino do Iraque e a coalizão que deixa o país, um raro golpe de propaganda - mas a vantagem provavelmente vai durar pouco pois os problemas no país continuam.

O governo interino vinha pedindo ao administrador americano Paul Bremer há algum tempo que antecipasse a data o máximo possível.

O ministro do Exterior do Iraque, Hoshyar Zebari, disse nesta segunda-feira: "Nós estamos prontos."

Alguma mente brilhante deve ter percebido que a conjugação da reunião da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Turquia com a entrega de poder daria aos Estados Unidos e à Grã-Bretanha uma oportunidade para controlar as manchetes do dia.

A passagem de soberania agora domina a reunião, desviando a atenção das divisões que marcaram a reunião do G8 há três semanas e que ameaçavam este encontro, mesmo com demonstrações públicas de união por parte dos líderes mundiais.

Ela também permitiu ao presidente americano, George W. Bush, e ao primeiro-ministro britânico, Tony Blair, apresentarem o argumento a seus aliados mais próximos de que um dia os iraquianos se autogovernariam.

Os Estados Unidos sempre se apoiaram nesses aliados quando outras justificativas para a guerra falharam.

Há ainda outro benefício na iniciativa. A antecipação repentina da data poderia atrapalhar possíveis planos de insurgentes para marcarem eles mesmos o dia 30 de junho (data programada originalmente para a passagem de soberania) com mais violência.

Como a segurança do Estado e das ruas é um dos problemas mais urgentes a serem enfrentados pelo novo governo, a antecipação pelo menos representa um estímulo ao seu moral já no início de sua gestão.

Mas os golpes de propaganda tendem a não durar a menos que tenham bases concretas.

E as bases concretas no Iraque são, no mínimo, frágeis.

Para começar, este é apenas um governo interino, nomeado, e com poderes limitados.

As eleições só devem se realizar em janeiro, e mesmo então haverá apenas um governo "de transição" que terá que formular uma Constituição antes da realização de eleições plenas no final do ano que vem.

Então a legitimidade democrática ainda está um tanto distante, e isso torna mais difícil para este governo arrebanhar apoio entre o povo iraquiano.

Segurança

Ainda mais, com mais de cem civis mortos por semana, o poder do governo de impor sua vontade nas ruas é muito limitado.

O número de integrantes de suas próprias forças de segurança - cerca de 200 mil -impressiona. Seu desempenho causa menor impacto.

O governo tem, então, que se apoiar em soldados estrangeiros - principalmente americanos - e isso, por sua vez, alimenta a insurreição.

Além disso, uma conseqüência da violência é que a reconstrução do país tem sido lenta.

Embora muito tenha sido feito, ainda há muito mais por fazer.

Isso pode ser visto, por exemplo, no fracasso em se melhorar o fornecimento de energia. Dados da coalizão indicam que a capacidade média gerada em maio era de 4.144 megawatts, bem abaixo dos 6.000 megawatts planejados para a data da passagem de soberania.

Sabotagem e ameaças a trabalhadores estrangeiros são fatores óbvios. Até que essas questões possam ser resolvidas, a reconstrução do Iraque não vai gerar uma quantidade suficiente de boas notícias para contrapor as más notícias.

Nem vai levar à criação de empregos suficientes.

A reconstrução foi apresentada como uma das principais conseqüências da ocupação americana, com a destinação de US$ 18 bilhões para a infraestrutura do país em verba aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos.

Esperança

No lado positivo para o governo interino está a esperança de que uma vez que os iraquianos sintam que estão dirigindo seu próprio país, vão rejeitar a violência que acarreta seu próprio sofrimento.

É nisso que americanos e britânicos se apóiam agora. Não têm muito mais do que isso para se apoiar.

Jeremy Greenstock, ex-alto representante britânico na Autoridade da Coalizão, disse à BBC: "Eventualmente a sociedade iraquiana vai rejeitar violência gratuita tão categoricamente que ela não poderá continuar. O fim do período de ocupação é um passo importante, porque a violência será, então, direcionada contra os iraquianos."

"E o novo governo interino, claro, não é um fantoche dos americanos. Eu vejo o povo iraquiano dando a seus novos líderes o benefício da dúvida desde que eles possam proporcionar uma administração competente. No final, o resultado depende da capacidade dos iraquianos de atravessar esta etapa ruim e sobreviver a ela."

O primeiro-ministro AllawiQuem é quem
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