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Atualizado às: 17 de junho, 2004 - 19h32 GMT (16h32 Brasília)
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Fé ocupa lugar de destaque na estratégia política de Bush

George W. Bush
Bush disse que 'não pediu o voto de ninguém' por ser religioso
Em meio aos tributos prestados a Ronald Reagan desde sua morte, comparações inevitáveis foram feitas com o republicano que ocupa atualmente o cargo mais poderoso do mundo.

Assim como o presidente George W. Bush, Reagan era um homem religioso. Mas em um discurso em homenagem ao então líder da Guerra Fria, Ron Reagan Jr declarou que seu pai “nunca havia cometido o erro fatal de tantos políticos" - usar a fé para ganhar vantagens eleitorais.

A declaração foi interpretada como uma zombaria a Bush. O presidente respondeu com uma citação mordaz da Bíblia e disse que nunca pediu a ninguém que votasse nele porque era mais religioso do que o próximo.

No entanto, há poucas dúvidas de que Bush, que descreveu Jesus como seu filósofo favorito, tem administrado uma das Presidências mais religiosas, ambos no estilo e na substância.

“Mas sua expressão religiosa certamente não é apenas eleitoral”, diz John Green, professor da Universidade de Akron, em Ohio, e especialista na relação entre religião e política.

“À medida que mais americanos passaram a ficar mais interessados em idéias religiosas na arena pública, mais políticos de ambos os lados começaram a satisfazê-los”, afirma Green. “Com Bush, vimos essa tendência em sua manifestação mais expressiva.”

Aborto

Os Estados Unidos, fundados por pessoas que estavam sendo perseguidas por causa de sua fé, sempre tiveram um profundo caráter religioso, e durante a década de 90 essas questões espirituais voltaram à tona.

O candidato democrata Al Gore levou isso em conta quando concorreu à Presidência contra Bush, em 2000, e declarou que sempre considerava a pergunta “O que Jesus faria?”, quando tomava decisões políticas.

Mas foi Bush quem mais se beneficiou dos eleitores devotos. Isso significou introduzir um conservadorismo religioso em elementos de sua política social, ao mesmo tempo que não queria alienar os eleitores seculares – banir uma das formas de aborto, o chamado “nascimento parcial”, foi um exemplo.

O encorajamento da abstinência entre os jovens e o investimento de US$ 1,5 bilhão na promoção de “casamentos saudáveis” também fizeram sucesso entre os grupos religiosos.

Evangélicos

Paul Weyrich, um dos fundadores do movimento conservador Fundação Congresso Livre, diz que, aparentemente, 4 milhões de eleitores evangélicos não teriam votado em Bush, em 2000, após revelações de que ele estava envolvido em um incidente, dirigindo bêbado, nos anos 70.

Em uma eleição apertada como a que vem pela frente, os votos deles – alguns analistas acreditam – podem ser cruciais.
“Ele precisar abordar os temas certos para chamar a atenção deles. Não é o Iraque – há um sentimento ambíguo sobre o que se passa lá. Tem que ser a emenda federal sobre o casamento”, afirma Weyrich.

No início deste ano, em meio às centenas de casamentos homossexuais realizados no país, Bush finalmente jogou todo o seu peso nessa emenda constitucional que impedirá tais uniões.

Foi uma medida vista como uma tentativa de agradar os evangélicos em um ano eleitoral, mas, sem uma agenda clara no Congresso, o assunto foi deixado de lado.

“Ele precisa seguir com isso. É um assunto que as pessoas acompanham e que pode render votos”, comenta Weyrich.

“O problema dessa sugestão é que ele vai cair da corda bamba”, discorda Green, que tem dúvidas sobre a importância da “perda” de 4 milhões de votos evangélicos.

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