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Análise: Velha Europa reflete sobre a 'nova América' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, está na Europa para comemorar o desembarque aliado na França ocupada pelos nazistas, em 1944 – uma data que está deixando muitos europeus com saudades de uma "velha América". Sessenta anos depois do "Dia D", milhares de soldados americanos ainda estão na Europa ocidental, um símbolo da longevidade da aliança transatlântica. Mas, em breve, muitas dessas tropas poderão estar, finalmente, deixando a Europa. A máquina militar dos Estados Unidos está sob pressão. Ela quer desativar caras bases permanentes no exterior e criar instalações mais temporárias, mais próximas aos focos de problemas, que poderiam ser ativadas quando fosse necessário. Isso tudo faz perfeito sentido do ponto de vista estratégico, mas inevitavelmente tal retirada poderia ter um sério impacto sobre a natureza da aliança transatlântica. A guerra no Iraque colocou essa parceria sob imensa pressão. Regras mudando Mas, até certo ponto, o estrago tem sido controlado. As celebrações do "Dia D" antecedem a reunião de cúpula dos países do G-8 nos Estados Unidos, ainda neste mês, e um encontro da Otan em Istambul – todos eles sinais da força da ligação entre os Estados Unidos e seus aliados europeus mais próximos. Mas as regras do diálogo entre os dois lados estão mudando. Foi o desinibido secretário de Defesa americano, Donald Rumsfeld, que falou usando um tom negativo de uma "velha Europa" que contrastava com a emergente "nova Europa", formada por países mais inclinados a atuar lado a lado com Washington. Mas, agora, muitos europeus inverteriam essa observação, afirmando que existe uma "velha América" – aquela do "Dia D" e das décadas de aliança com a Europa durante a Guerra Fria, e que foi, de alguma forma, sobreposta pelo novo e "auto-suficiente" Estados Unidos de Bush. Para muitos europeus, pelo menos em termos de política externa, a batalha eleitoral entre John Kerry e Bush pela Casa Branca neste ano é vista, certa ou erradamente, como uma disputa entre a "velha" e a "nova" América. O contexto global está mudando radicalmente, e tanto os europeus quanto os americanos precisam encontrar um novo ponto de equilíbrio em sua complexa e às vezes turbulenta relação. |
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