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Atualizado às: 02 de junho, 2004 - 01h00 GMT (22h00 Brasília)
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Chávez admite possível realização de referendo
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez
Chávez também voltou a se referir à possibilidade de fraudes na coleta de assinaturas
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, admitiu que a oposição no país pode ter recolhido um número suficiente de assinaturas para forçar a realização de um referendo sobre seu governo, que poderia, por sua vez, levá-lo a abandonar o poder.

Até agora, ao se referir à coleta de assinaturas, Chávez várias vezes falou de possíveis fraudes organizadas pela oposição ou sobre a possibilidade de a oposição não conseguir obter os 2,4 milhões necessários.

Mas Chávez disse nesta terça-feira que a oposição poderia obter uma vitória na coleta de assinaturas por uma estreita margem, forçando o referendo. “Suponha que tenham 2,5 milhões (de assinaturas). Mais, eles não conseguiriam. Se conseguem (o número de assinaturas necessário) será por bem pouquinho”, disse.

No fim de semana, milhares de assinaturas recolhidas pela oposição e suspeitas de serem irregulares foram reconfirmadas na Venezuela. A cifra final de assinaturas recolhidas – e, conseqüentemente, a decisão sobre a realização ou não do referendo - deve ser divulgada até o fim desta semana.

Números

De acordo com a rádio União, da Venezuela, o presidente também pediu aos diversos envolvidos no processo político no país que não pressionem o Conselho Nacional Eleitoral, responsável pela verificação das assinaturas.

“Não pressionem o árbitro, que ele tenha o tempo para agir com prudência. É recomendável que continuem trabalhando”, disse.

“É perigoso cantar vitória antes de garantir o jogo (...) à oposição que canta vitória, eu mostro os números.”

Mais tarde, ainda nesta terça-feira, Chávez voltou a alegar que “sem nenhuma dúvida, nos últimos dias nós testemunhamos fortes sinais de uma nova tentativa de fraude”, segundo informou a agência de notícias Reuters. “O Conselho Nacional Eleitoral precisa investigar isso.”

Surpresa

Nesta segunda-feira, o ex-presidente americano Jimmy Carter e o presidente da OEA (Organização dos Estados Americanos), César Gavíria, realizaram uma visita de surpresa à sede do Conselho Nacional Eleitoral.

Os dois, que estão sendo observadores do processo de verificação das assinaturas, foram pedir explicações sobre atrasos na entrega de dados às organizações que representam, como estava previsto em um acordo com as autoridades eleitorais venezuelanas.

Nós nos preocupamos com a lentidão da entrega das atas e informações. (...) Estamos com vontade de saber (mais sobre) e compreender esse atraso”, disse Carter.

A oposição precisa que 600 mil das assinaturas suspeitas sejam confirmadas para que o número mínimo de assinaturas para forçar o plebiscito seja alcançado.
Se isso acontecer, o referendo poderia ocorrer no início de agosto. Caso contrário, Chávez continuaria com seu mandato até o fim, previsto para 2006.

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