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Atualizado às: 02 de junho, 2004 - 14h38 GMT (11h38 Brasília)
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'Brasileiro no exterior forja identidade de muito trabalhador'
Boston
Sales estudou comportamento de brasileiros em Boston
"Brasileiro que vive no exterior tende a formar gueto rapidamente", diz Teresa Sales, pesquisadora do Núcleo de Estudos de População da Unicamp, e autora do livro "Brasileiro Longe de Casa", sobre a vida de imigrantes nos Estados Unidos.

Segundo Sales, esse fenômeno é uma reação ao choque cultural que o imigrante sofre no local onde chega: "Ocorre por causa da comunicabilidade do brasileiro, de sua relação afetiva, de seu calor humano, em contraposição à frieza desses outros povos para onde ele migra".

A acadêmica diz que quem se vê em países estrangeiros "forja uma identidade em relação ao povo que o recebe".

"O 'nós' tem que existir em contraposição ao outro", diz Sales. "Você precisa se auto-afirmar porque teve muitas perdas - numa migração como essa, perdeu família, está num país estranho, é discriminado. Então, até para sobreviver, o imigrante precisa se afirmar de alguma forma, não só como indivíduo, mas como grupo".

Faxineira
Imprensa dos EUA reafirma identidade de trabalhador do brasileiro, diz Sales

Ela lembra que isso já acontecia entre as levas de imigrantes estrangeiros que chegaram ao Brasil. "Eles tinham que dizer: 'Nós somos os melhores' para se adaptar melhor à situação."

Sales explica que essa nova identidade, no caso de brasileiros que imigraram para os Estados Unidos, "empresta" preconceitos locais.

"Entre os americanos existe uma percepção do hispânico como alguém que se apóia na seguridade social, não paga impostos, se envolve com crime. O brasileiro assume a auto imagem de um povo trabalhador, de mão-de-obra requisitada", diz ela, em relação aos imigrantes na cidade americana de Boston, no nordeste do país.

E esse estereótipo, segundo Salles, é reforçado pela imprensa americana. A pesquisadora da Unicamp disse que analisou artigos sobre os imigrantes brasileiros que sairam em jornais dos Estados Unidos, em seu trabalho acadêmico na década de 90, e percebeu que o brasileiro era sempre apresentado como alguém que trabalha bastante.

Nesse sentido, os brasileiros em Boston se alinharam mais com a comunidade portuguesa nos Estados Unidos, e não com a hispânica.

Sales diz que os contatos com os hispânicos se estreitaram mais nos últimos anos, pois já há uma comunidade brasileira mais consolidada nos Estados Unidos e a "identidade forjada" é menos indispensável.

Em Miami, como os cubanos exilados tem uma grande presença e são mais prestigiados, muitos brasileiros se aliam a essa comunidade.

"No caso de Miami, a contraposição é entre brasileiros ricos e brasileiros pobres", e muitos brasileiros são empregados de outros brasileiros.

Brasileiros Longe de Casa, Teresa Sales, Ed. Cortez, 237 páginas

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