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Atualizado às: 28 de maio, 2004 - 08h37 GMT (05h37 Brasília)
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Força brasileira no Haiti deve prestar ajuda humanitária

Vista aérea de Mapou, no sul do Haiti
Autoridades não sabem quantas pessoas morreram em Mapou
A Organização das Nações Unidas já está contando com a chegada dos reforços que virão com a Força de Estabilização da ONU para o Haiti – que será liderada pelo Brasil – não só para garantir a segurança no país, mas também para ajudar no alívio da catástrofe humana que está atingindo o país pobre das Américas.

"A Força Multilateral Interina (missão de paz formada por Estados Unidos, China, Canadá e França, com autorização da ONU) ajudou muito na logística destas operações e tenho certeza de que, se for necessário, a Força de Estabilização, que assume suas funções a partir do dia 1º de junho, também vai ajudar no que puder. Acho que esta também é parte da nossa missão", disse o chefe de comunicação da ONU em Porto Príncipe, Rorome Chantal.

O primeiro contingente de 42 soldados brasileiros que vai participar da missão chega no sábado ao país, em quatro aviões Hercules C-130, que vêm também carregados de equipamentos e suprimentos. Até o dia 1º de junho – quando a missão liderada pelo Brasil assume formalmente suas funções no Haiti – serão 140 militares brasileiros no país.

O grosso da tropa – que deve ser de 1,2 mil da força total de 6,5 mil – chega de navio até o dia 20 de junho. Já há em Porto Príncipe seis oficiais brasileiros preparando o terreno para a missão.

Estabilidade

O diplomata Fernando Aparício da Silva, que há um mês assumiu provisoriamente a secretaria da embaixada brasileira em Porto Príncipe, também para preparar a chegada dos militares, não soube dizer se os soldados iriam participar especificamente das operações de ajuda.

Mas o secretário deixou claro que este tipo de trabalho faria parte, de qualquer modo, do que o governo brasileiro considera necessário para trazer a estabilidade ao país, a missão estabelecida pelo mandato da ONU.

"As atribuições dos nossos militares vão depender apenas das decisões da ONU e do comando da missão, que será encabeçado por um general brasileiro. Mas o governo do Brasil vê a questão humanitária como essencial dentro do quadro de estabilização política e social do Haiti", disse o diplomata.

Vítimas

A violência política diminuiu, mas a inesperada violência das águas – com inundações que podem ter matado mais de mil pessoas no Haiti e outras centenas na República Dominicana – continua a castigar o país.

Segundo Chantal, meteorologistas que assessoram a Força Multilateral Interina disseram que deve continuar chovendo forte por pelo menos mais três dias na região de Mapou, no sul do país.

"A situação em Mapou é terrível e nem helicópteros estão conseguindo pousar em diversas áreas. Não sabemos direito quantas pessoas morreram porque há água demais, e os corpos não podem ser recolhidos", disse Rorome.

Os corpos submersos trazem ainda a preocupação com doenças que podem começar a se espalhar rapidamente. O Haiti é o país mais pobre das Américas, com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais baixo do mundo fora do continente africano, e as precárias condições de saneamento básico no país refletem esta realidade.

As ONGs e os membros da ONU que conseguiram chegar à região já registraram 176 mortos e desaparecidos, mas acredita-se que o número real possa passar de mil. Em outra vila, Fonds Verretes, onde a chuva foi mais intensa, mas o acesso é mais fácil, há 165 pessoas mortas ou desaparecidas (45 crianças), 1.113 casas destruídas, e mais de 5,5 mil pessoas precisando de ajuda humanitária.

Como o governo haitiano não tem helicópteros e muitas das estradas do país, que já são poucas e precárias, ficaram inutilizadas pelas chuvas, acabou recaindo sobre os militares estrangeiros, que vieram para o Haiti por conta da instabilidade política, a função de levar ajuda às remotas regiões atingidas por inundações.

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