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Acordo de paz no Sudão chega após 20 anos de guerra | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O governo e rebeldes do Sudão assinaram um acordo de paz que tem o objetivo de acabar com uma guerra civil que já dura mais de 20 anos no sul do país. O acordo apresenta soluções para a questão da divisão de poderes em um governo interino, que incluirá representantes de ambos os lados. O entendimento sobre o conflito na região das montanhas de Nuba, que deixou milhões de refugiados, foi elogiado pelo secretário de Estado americano, Colin Powell. Mas o governo americano advertiu que não haverá paz no Sudão enquanto não se resolver outro conflito que atinge o oeste do país, na região de Darfur. O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, descreveu o acordo como um grande avanço e disse que a organização está disposta a ajudar para que ele seja colocado em prática. Foram necessários 22 meses de negociações para que o governo e os rebeldes chegassem a um acordo. Leia as perguntas e respostas abaixo para tirar suas dúvidas sobre este conflito: Quais eram as causas da guerra? O Sudão se tornou independente em 1956 e, desde então, só não esteve em guerra entre 1972 e 1983. Naquele ano, o governo do norte sudanês, dominado pelos árabes, tentou impor a lei islâmica – Sharia – em todo o território do país, mesmo em áreas onde os muçulmanos são minoria. A medida exacerbou uma rebelião que havia começado no sul, onde predominam os cristãos e os seguidores de religiões tradicionais. O grupo rebelde se chama Exército Libertação do Povo Sudanês. A entidade jamais deixou claro se estava lutando pela autonomia do sul dentro do Sudão ou pela independência total da região. Quais são as chances de a guerra terminar agora? Agora, em tese, só é necessário fazer os arranjos práticos finais para que a paz seja permanente. Negociadores esperam que isso seja finalizado em algumas semanas. O governo e os rebeldes já concordaram em formar um Exército com 39 mil soldados recrutados em ambos os lados. No ano passado também foi acertado que o sul será uma região autonôma dentro do Sudão durante seis anos e, no final deste período, ocorrerá um referendo sobre o tema da independência. Os rebeldes aceitaram que a Sharia continue em vigor no norte do país. Recentemente, o Sudão se tornou um exportador de petróleo, e as duas partes concordaram em uma fórmula para dividir os lucros obtidos com o produto. Os rebeldes asseguraram a maior parte do dinheiro e a perspectiva de muitos empregos para o sul – o que pode oferecer um novo incentivo à rebelião em outras regiões onde há descontentamento. Não há como dizer se o acordo vai ser bem aceito em outras partes do país ou se vai haver um clima de revolta contra os sulistas na capital Cartum e em outras regiões no norte. O acordo também prevê a criação de três áreas fronteiriças com um status especial, com poder compartilhado entre as duas partes. No futuro pode haver problemas nestas áreas, caso o sul decida se tornar independente. Quais foram os pontos mais difíceis? Boa parte das dificuldades foi causada pela distribuição de cargos no governo e no serviço público entre os dois lados. No final, foi decidido que o governo terá 70% dos cargos, e os rebeldes, 30%. Os rebeldes também insistiram que Cartum, apesar de ficar no norte, não permaneça sujeita à Sharia. Também houve controvérsia sobre se algumas regiões deveriam ser consideradas como parte do norte ou do sul do país. Todos os conflitos sudaneses são contemplados pelo acordo? Não. No oeste do país, há uma rebelião na região de Dafur, onde um milhão de pessoas foram desalojadas por combates entre rebeldes, o Exército e guerrilhas árabes pró-governo. A ONU descreveu este conflito como a pior crise humana da atualidade. Por que os Estados Unidos se envolveram tanto na busca deste acordo? O governo do presidente George W. Bush sofreu pressões variadas para ajudar a levar a paz para o Sudão. Entidades de defesa dos direitos humanos demonstraram crescente preocupação com casos de escravidão no país. Grupos cristãos que têm bastante influência no Partido Republicano também pressionaram pelo fim do conflito que viam como perseguição de cristãos por muçulmanos sudaneses. Além disso, os americanos estão de olho no Sudão devido a temores de que grupos terroristas operem desde o país africano. |
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