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Atualizado às: 25 de março, 2004 - 17h39 GMT (14h39 Brasília)
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FMI se afasta de polêmica com BNDES

Logotipo do FMI
FMI questionou taxa de juros do BNDES
O porta-voz do Fundo Monetário Internacional (FMI), Thomas Dawson, buscou afastar o órgão da polêmica em torno da TJLP (a taxa de juros de longo prazo praticada pelo BNDES) dizendo que isto não é "assunto para o Fundo".

"A TJLP não é citada na carta de intenções assinada com o Brasil e portanto não é assunto para o Fundo", disse Dawson.

Recentemente, técnicos do FMI que estiveram no Brasil classificaram de "subsídio" a taxa praticada pelo BNDES (10% ao ano) para financiar o setor produtivo, em reuniões com autoridades brasileiras.

A taxa é bem mais baixa do que a Selic (16,25% ao ano), que define os juros basicos da economia.

Crítica mortal

O presidente do BNDES, Carlos Lessa, reagiu com veemência à avaliação do Fundo, dizendo à imprensa que "se a tese (de subsídio do FMI) prevalecer, será mortal para o BNDES e para o desenvolvimento brasileiro".

Defensores da TJLP argumentam que trata-se do único meio viável de financiamento à produção e temem que classificá-la como subsídio possa fazer com que outros países acusem o Brasil de estar subsidiando as exportações e protestem contra isso em organismos do comércio internacional.

Em uma entrevista coletiva nesta quinta-feira em Washington, Thomas Dawson disse que é normal que técnicos do fundo discutam diferentes aspectos do mercado em países nos quais atuam, mas reiterou que a TJLP não faz parte das avaliações formais do órgão.

Novo diretor-gerente

O porta-voz também disse que ainda não há nenhuma previsão quanto ao prazo para nomeação do novo diretor-gerente do FMI, que vai assumir o posto ocupado interinamente por Anne Krueger.

Mas Dawson reduziu a importância da polêmica provocada pela declaração assinada por um grupo de países membros do FMI, questionando a política de se reservar o mais alto cargo da instituição para um europeu.

Desde a criação das insituições financeiras multilaterais, nos anos 40, a presidência do Banco Mundial vai para um americano enquanto o comando do FMI fica com a Europa.

"Isso não é novo. Há muitos anos esta discussão surge no Fundo no momento de troca do diretor", disse ele sem dar, no entanto, indicações de como está a temperatura desta polêmica no processo de sucessão em curso.

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