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Atualizado às: 22 de março, 2004 - 19h12 GMT (16h12 Brasília)
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EUA ficam na defensiva após morte de líder do Hamas

Xeque Ahmed Yassin
Yassin foi morto em sua cadeira de rodas, ao deixar uma mesquita
Promessas palestinas de vingança sangrenta, fúria no mundo árabe-islâmico, condenações generalizadas da comunidade internacional, advertências de uma escalada de violência e mesmo alguns sentimentos de desalento dentro do próprio gabinete do primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon.

Estas foram algumas reações à operação de "assassinato seletivo", em Gaza, do xeque Ahmed Yassin, fundador e líder espiritual do movimento extremista palestino Hamas, empreendida por Israel.

Até Jack Straw, ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, fiel aliado americano, qualificou a ação de inaceitável, embora tenha enfatizado o direito de Israel de se defender.

A reação em Washington, no entanto, não foi de condenação, em meio ao previsível apelo por calma e moderação a todas as partes envolvidas no conflito.

Na verdade, a reação americana foi defensiva.

Horas após a morte do xeque Yassin, a assessora de segurança nacional da Casa Branca, Condoleezza Rice, disse que o governo Bush não deu o sinal verde para o ataque e não recebeu aviso prévio.

Formalmente, o governo americano se opõe à política israelense do "assassinato seletivo", mas na prática existe um equilíbrio desajeitado.

No caso de Yassin, houve um certo beneplácito.

Rice ressaltou que "Hamas é uma organização terrorista e nós acreditamos que o xeque Yassin estivesse pessoalmente envolvido em planejamento terrorista".

Após uma hesitação inicial, a Casa Branca e o Departamento de Estado criticaram Israel pelo assassinato do xeque Yassin. A mudança de tom teve o objetivo de mostrar à comunidade internacional que o apoio americano a Israel não é ilimitado.

Na visão dos círculos do poder americano, uma ação espetacular como o assassinato de alguém que Israel considerava o "Osama Bin Laden palestino" talvez tenha desdobramentos positivos na arena diplomática.

A operação foi interpretada como um prelúdio de uma retirada unilateral israelense de Gaza.

Antes de sair, Sharon não pode mostrar fraqueza.

O outro componente da paz unilateral é a construção do muro de separação entre Israel e a Cisjordânia.

Planos grandiosos e multilaterais de busca de paz no Oriente Médio estão simplesmente mofando em meio à escalada de atentados suicidas palestinos e assassinatos seletivos israelenses.

Há uma fachada de movimentação diplomática.

No mês que vem, por exemplo, Bush deve conversar tanto com Sharon como com o presidente egípcio Hosni Mubarak sobre o plano de paz liderados pelos americanos, ou Rota da Paz.

Mubarak foi até convidado para aparecer no rancho do Texas.

É sinal de status, mas na realidade há pouca substância.

Nos seus discursos na campanha de reeleição, em que apregoa ter tornado o mundo mais seguro com suas reações aos ataques do 11 de setembro e a invasão do Iraque, o presidente Bush ignora o conflito israelo-palestino.

Mas a incapacidade americana para estimular progressos diplomáticos no conflito não é ignorada por israelenses e palestinos.

Para Sharon, o status quo é conveniente.

Ele sabe que não sofrerá pressões de monta da Casa Branca por concessões na temporada eleitoral americana.

E na visão palestina, Bush é simplista e considera o Hamas apenas mais um alvo na chamada guerra contra o terror.

E de fato, o círculo de violência vai se completando.

Pela primeira vez, o Hamas está também ameaçando os EUA com ações terroristas, com o argumento de que o apoio de Bush a Sharon tornou possível o assassinato de Yassin.

A mensagem eleitoral de segurança vendida por Bush poderá ficar mais vulnerável.

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