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Atualizado às: 06 de março, 2004 - 10h14 GMT (07h14 Brasília)
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Conheça os grupos de lobby que podem decidir as eleições nos EUA
O lobby é um elemento-chave na política americana, principalmente em um ano eleitoral. A BBC analisa os principais assuntos que deve ser discutidos nos próximos meses de campanha, e os principais grupos de interesse que devem influenciar os candidatos.

Clique em um dos grupos de pressão abaixo para saber mais sobre eles.

Os idosos

Cerca de 13% dos americanos têm mais de 65 anos de idade. Eles votam em maior número se comparados a eleitores de outas faixas etárias e são relativamente indecisos em termos de posição política.

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A força dos aposentados como grupo de pressão está aumentando

A maior organização nacional que representa os idosos é a Associação Americana de Pessoas aposentadas (AARP, na sigla em inglês).

Com 30 milhões de membros, a associação não faz contribuições partidárias, mas é considerada um dos mais importantes grupos de pressão dos Estados Unidos. A AARP não teria, teoricamente, ligação com nenhum partido, mas tem tradicionalmente uma tendência a apoiar os democratas.

Um dos principais assuntos que interessam aos idosos do país é o Medicare, o sistema estatal de saúde para as pessoas de idade. Outro tema que preocupa esse grupo é o preço dos remédios. O Medicare dá aos idosos americanos acesso a assistência hospitalar, mas, por enquanto, não aos remédios.

Os pensionistas se transformaram numa poderosa força política, especialmente em estados considerados cruciais, como a Flórida.

O presidente Bush conseguiu aprovar uma reforma do Medicare, que permitirá ao Medicare oferecer cobertura optional incluindo remédios a partir de 2006. A AARP deu seu apoio à reforma, mas os democratas dizem que a reforma é insuficiente.

Questões sociais

Muitos analistas acreditam que questões como o casamento entre homossexuais vão dominar a agenda social dos candidatos nas eleições deste ano. Mas ainda não se sabe se esse será um fator que vai valorizado pelos eleitores em novembro,

O que é certo, porém, é que ativistas conservadores vão garantir que os eleitores escutem os argumentos contra o casamento de gays.

O presidente George W. Bush já está sofrendo uma imensa pressão de seus simpatizantes cristãos. Em fevereiro, ele anunciou que apóia uma emenda à constituição americana, que estabeleceria que o casamento só pode ocorrer entre um homem e uma mulher.

Essa foi uma mudança de postura em relação a 2000, quando Bush, então concorrendo a seu primeiro mandato na Casa Branca, disse que se opunha ao casamento entre homossexuais, mas que também achava que os diferentes Estados americanos poderiam "decidir o que quisessem".

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A questão do casamento gay deve ser um dos temas principais de debate na campanha

Alguns analistas e democratas céticos dizem que o principal assessor político do presidente, Karl Rove, está de olho nos quatro milhões de evangélicos que, apesar de terem ido às urnas nas eleições presidenciais de 1996, não teriam exercido seu direito em 2000, por não terem simpatizado com a postura de Bush. Eles dizem que, agora, Rove está usando o assunto para tentar atraí-los.

A estratégia de Bush foi condenada pela Coalizão Cristã, a maior e mais ativa organização política conservadora dos Estados Unidos. Ela tem cerca de 2 milhões de membros e faz lobby no Congresso e na Casa Branca em várias áreas.

Outro grupo poderoso é o Foco na Família, que usa sua rede de correspondência e suas transmissões de rádio para pressionar os estados a banir o casamento entre homossexuais.

Há numerosos grupos menores. Um deles, a Coalizão de Valores Tradicionais, está enviando cartas a meio milhão de casas pedindo doações para um fundo chamado Fundo de Alerta Homossexual. O grupo espera convencer pessoas que doam dinheiro para políticos a boicotar candidatos que não apóiam a proibição.

A Campanha pelos Direitos Humanos é o maior grupo de pressão política pelos direitos dos homosseuxuais. Ele tem 500 mil membros, que pedem que casais de duas pessoas do mesmo sexo tenham os mesmos direitos de casais formados por homem e mulher.

John Kerry se opõe ao casamento gay, mas apoia as uniões civis entre homossexuais. Essas uniões dão aos gays acesso aos mesmos benefícios que casais heterossexuais têm direito.

Minorias

Há cerca de 38 milhões de pessoas de origem latina nos Estados Unidos, ou 13% da população. Os hispânicos superaram os negros e se tornaram a maior minoria do país.

Cerca de 21,5 milhões estão registrados para votar e 6,7 milhões devem ir âs urnas nas eleições presidenciais de novembro.

Republicanos e democratas já deixaram claro que planejam trabalhar duro para ganhar o apoio dessa parcela da população.

Nas eleições de 2000, 90% dos eleitores negros votaram no candidato democrata Al Gore, enquanto apenas 6% voltaram em Bush. Por outro lado, apenas 35% dos latinos votaram nos democratas e a ampla maioria simplesmente não votou.

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Mais de 60% dos trabalhadores ilegais dos EUA são mexicanos

Uma recente pesquisa envolvendo americanos de origem hispânica indicou que 53% deles se consideram politicamente independentes, o que os transforma em um dos maiores grupos de eleitores sem posição política definida no país.

Há milhões de latinos em Estados-chave como Flórida, Novo México, Arizona e Carolina do Norte.

Bush recentemente apresentou novas propostas para legalizar a situação de imigrantes ilegais, isso, porém, irritou membros mais conservadores do Partido Republicano.

Os eleitores hispânicos estão cada vez mais conscientes de sua própria importância. O maior grupo de pressão de latinos no país é o Conselho Nacional de La Raza, que deu boas-vindas às propostas do atual presidente americanos.

O grupo disse que qualquer tentativa de resolver o problema dos milhões de trabalhadores ilegais é positiva, mas também ressaltou que as propostas de Bush são mais favoráveis aos empregadores, que iriam se beneficiar da mão de obra barata.

Sindicatos

John Kerry ganhou o apoio da Federação dos Sindicatos Americanos (AFL-CIO, na sigla em inglês), que represesenta mais de 13 milhões de trabalhadores filiados a 64 sindicatos, relacionados a praticamente todos os setores da economia.

De acordo com o Centro de Política Responsável, organizações de trabalhadores doraram US$ 85 milhões aos democratas durante o processo eleitoral de 2000, mas ainda assim o partido perdeu a Casa Branca. O partido também não tem a maioria no Capitólio, apesar de os sindicatos terem investido nele US$ 90 milhões nas eleições parlamentares de 2002.

O Centro disse que o dinheiro doado por sindicatos aos partidos é geralmente apenas uma fração do dinheiro doado pelas empresas.

Afastar George W.Bush do poder é uma prioridade para a maioria das organizações sindicais americanas, mas alguns analistas dizem que Bush, pessoalmente, continua sendo uma figura popular em alguns sindicatos formados por uma maioria de homens brancos. Nas eleições de 2000, filiados a sindicatos preferiram Al Gore a Bush em uma proporção de cerca de dois votos para um.

Meio Ambiente

Milhões de americanos continuam a apoiar as causas ambientais, mas o Centro de Política Responsável, que monitora doações e a atividade de grupos de interesse, diz que doações de grupos ambientalistas são apenas uma fração das de grandes grupos industriais aos quais eles geralmente se opõem.

O Centro diz um dos principais grupos de lobby pró-meio ambiente, o Sierra Club, gasta seu dinheiro em propagandas em vez de doá-lo a candidatos ou partidos. O grupo não tem o poder de fogo de companhias de petróleo, de energia e químicas e "as muitas outras empresas que tendem a se opor a leis ambientais no Congresso".

A Liga dos Eleitores Conservadores é um grupo que reúne cerca de nove milhões de eleitores com consciência ecológica, que atua pressionando o governo

Orçamento e impostos

O crescente déficit orçamentário dos Estados Unidos está se transformando em um importante tema de campanha.

A expectativa é que diferença entre o total de recursos arrecadado pelo governo e o total gasto supere os US$ 500 bilhões em 2004 - 5% do volume total da economia americana.

Membros conservadores de ambos os partidos temem que o alto déficit possa levar à economia americana à bancarrota, elevando os juros e, assim, deixando as empresas sem espaço para se expandir.

O governo Bush disse que o volumoso déficit tem raízes em fatores transitórios, incluindo o alto custo da guerra contra o terrorismo e os substanciais cortes nos impostos necessários para tirar a economia da recessão.

Mas alguns analistas levantaram a possibilidade de o déficit ficar fora de controle por causa das grandes mudanças propostas em programas sociais como o Medicare ou na Previdência Social.

No caso da Previdência, a expectativa é que os custos para manter o programa aumentem na próxima década, devido ao envelhecimento da população.

São principalmente grupos de elite, como a Coalizão Concord, que fazem pressão nessa área e pagam anúncios sobre o assunto no jornal The New York Times. A União Nacional de Contribuintes, que pressiona por quedas nos impostos, também é uma organização ativa junto às bases do Partido Republicano.

Outros grupos

Há vários grupos de pressão relativamente novos que planejam gastar milhões de dólares para influenciar esta eleição presidencial por meio de propagandas e campanhas de mobilização de eleitores.

Tratam-se de organizações isentas de impostos, conhecidas como 527s, por se basearem em um item do código regulador da Receita Federal americana.

Embora esses grupos não possam contribuir diretamente aos candidatos, eles podem receber recursos ilimitados de pessoas físicas ou jurídicas e sindicatos para pagar suas propagandas e campanhas de mobilização.

Essas organizações atraem recursos principalmente de alguns poucos doadores ricos, incluindo o megainvestidor George Soros, que prometeu dar US$ 10 milhões a vários grupos e sindicatos que apóiam os democratas.

Os Estados Unidos se Unindo, uma campanha de mobilização de eleitores liderada por um ex-líder do AFL-CIO e pela direção da EMILY, um comitê de ação política de mulheres, teria arrecadado US$ 30 milhões até janeiro deste ano, de acordo com o Centro de Política Responsável. A meta seria arrecadar US$ 75 milhões.

MoveOn.org, que começou em 1998 como um movimento de protesto contra o processo de impeachment do presidente Bill Clinton, é outro grupo de destaque. Seu fundo de eleitores está arrecadando verbas para propagandas de TV em Estados-chave, para que Bush seja derrotado nestas eleições. Soros é um grande financiador.

O Fundo de Mídia é outro grupo dedicado a afastar Bush em novembro. Ele planeja arrecadar US$ 100 milhões também para pagar propagandas em Estados onde a vitória é importante para os democratas.

Thomas Mann, um especialista em política do Brooking Institution, um centro de pesquisas independente, disse que muitos dos 527 grupos de pressão provavelmente não vão alcançar suas metas de arrecadação.

Além disso, a forma de arrecadação de tais grupos está atualmente sendo revista pelo Comissão Federal Eleitoral americana.

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