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Torcedor brasileiro é exigente e impaciente, diz Parreira | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O técnico Carlos Alberto Parreira afirmou, em entrevista à BBC Brasil, que ainda é cedo para se falar em uma renovação do grupo que conquistou a Copa do Mundo de 2002 e forma a base da atual Seleção Brasileira. Ao comentar as cobranças por uma maior rapidez nesse processo de renovação, Parreira afirmou que "o torcedor brasileiro é muito exigente, muito impaciente". O treinador da Seleção Brasileira respondeu a algumas das perguntas enviadas pelos internautas da BBC Brasil e de seus parceiros na véspera do amistoso contra a Irlanda, em Dublin. Leia abaixo a primeira parte da entrevista concedida por Parreira à BBC Brasil. Fernando A. Ramos Gonçalves (Cotia-SP) - Você acredita que o futebol brasileiro passa por um período de entressafra e que uma renovação é inevitável? Carlos Alberto Parreira - Não, eu acho que não. Eu acho que o futebol brasileiro continua rico em valores individuais, haja visto que as equipes que ganharam os dois últimos Campeonatos Brasileiros, o Santos e o Cruzeiro, e outras equipes têm vários jogadores que foram campeões da Sub-17, Sub-20. Então, a nossa fábrica continua boa. Na Seleção principal, dois jogadores talvez tivessem já atingido, assim, a idade perigosa pra disputar uma Copa, que é o Cafu, que está com 33 anos, mas se mantém com uma forma física invejável, e o Rivaldo, que também parece que está com 30 anos, mas a média geral dos demais jogadores chega a 25, 26 anos – o que nos permite uma folga muito boa para a próxima Copa. João Paulo Sardinha (São José dos Campos – SP) - Até quando você pretende manter a base da seleção que foi campeã mundial? Qual o melhor momento para pensar em renovar? Parreira – No primeiro dia que eu assumi a Seleção, um ano e meio atrás, já queriam mudar todo o time campeão do mundo. Então, o torcedor brasileiro é muito exigente, ele é muito impaciente. Eu assumi em 2003, no dia 6 de janeiro. O Brasil tinha sido pentacampeão do mundo seis meses antes. Então, já falavam em renovação. Renovar o quê? Um time que foi pentacampeão do mundo? E, naquela ocasião, eu dizia, e dizia até com muita ênfase: quem tem que pensar em renovar é a Suécia, a Argentina, a França, que foram desclassificadas na primeira fase. O time pentacampeão do mundo tem uma base sólida, boa, técnica para a próxima Copa. Nós temos aí três ou quatro jogadores que serão observados durante a Eliminatória e durante o trabalho. Nós estamos aí em 2004, faltam praticamente quase três anos para a próxima Copa do Mundo e, até lá, com certeza, as providências que tiverem de ser tomadas em termos de renovação serão feitas. Diziam até, muita ansiedade, que o time Sub-20, que o time pré-olímpico tinha que ser a base da seleção brasileira, e não é assim. Clube é uma coisa, Seleção é outra. O jogador precisa de tempo pra amadurecer, jogar. Além da qualidade técnica, além de ter alguns jogadores jovens, é preciso que haja experiência para poder jogar bem com o peso que representa a camisa e a Seleção, e a cobrança da Seleção Brasileira. Wanderley Cardoso Celeste (Vitória-ES) - As chances dos jogadores que atuaram no Pré-Olimpico serem chamados para a Seleção principal ficaram diminuídas com o mau desempenho do Brasil na competição? Parreira – Eu acho que seria um degrau que eles subiriam nessa ascensão, nessa escalada para chegar ao time principal. Com certeza, Diego, Robinho e companhia serão julgados pelo que eles fizerem no clube. Então, eu acho que eles vão ter que voltar para o clube e voltar a jogar aquele futebol que fez com que a imprensa toda e os torcedores exigissem que eles jogassem na Seleção principal. Não tem outra solução. Você tem que matar um leão a cada dia. É o treinador, é o jogador, tem sempre que se apresentar bem. Eles vão ter que voltar e recuperar, no clube, o futebol que os trouxe até aqui. Eu acho que eles não estão sem vez na Seleção, vão continuar a ser observados e, na medida em que for necessário e que eles voltarem a jogar bem, serão reconduzidos, como já foi o Fábio Rochemback, que jogou naquela Seleção, esteve lá e está aqui, integrando a Seleção principal. André Nalini (Rio de Janeiro-RJ) - Porque você e o Zagallo não foram também técnico e coordenador da Seleção pré-olímpica? Parreira – Porque quando nós chegamos à CBF, em janeiro de 2003, o Ricardo Gomes já tinha sido contratado pelo presidente da CBF para ser o técnico da Seleção pré-olímpica. Havia dois projetos, e esse projeto era um, e o da Seleção principal, Eliminatórias, outro. E nós já tínhamos tido a experiência de eu ir com o Zagallo a um Pré-Olímpico, quando o Brasil não classificou, no Paraguai, em 1992, a experiência não foi boa, não foi positiva. Ou a gente iria para assumir o time ou então era melhor ficar de longe, acompanhando, tendo contato. E eu acho que o Ricardo Gomes não teve sorte, mas ele é um bom treinador, fez um bom trabalho. Foi produto de uma série de coisas que aconteceram na competição, quem viu sabe. O time chegou lá já praticamente classificado, e a gente sabe que, no futebol, a coisa não acontece assim. Você tem que demonstrar dentro do campo. |
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