BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 13 de fevereiro, 2004 - 16h19 GMT (14h19 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Na Colômbia, lingerie vira arma no combate ao tráfico

plantação de coca
Plantação de coca é grande na Colômbia
Maria Rodríguez não tem saudades do tempo em que fazia faxinas, lavava e passava roupas, quando o que ganhava nem sempre dava para pagar as despesas do mês.

Há 13 anos, desde que começou a trabalhar nas Indústrias Associadas, uma cooperativa de mulheres que produzem lingeries, sua vida mudou. As preocupações com a falta de dinheiro acabaram, porque o que ela ganha agora permite sustentar os dois filhos, além de ajudar a mãe e a irmã.

Além disso, o trabalho de Maria na cooperativa, localizada na zona rural do Valle del Cauca, no sudoeste da Colômbia, também contribui para a diminuição do consumo e da produção de drogas no país.

"Sem esse trabalho, nossa situação seria muito difícil. Assim como eu, a maioria das 900 cooperadas são chefes de família. A situação não é diferente para as casadas, também responsáveis pelo sustento de suas casas”, diz Maria. “Não sei o que poderia ter acontecido com a gente. É possível que algumas estivessem fazendo coisas erradas, envolvidas com cultivos ilícitos.”

ONU

Segundo Fernando Pomes, diretor geral das duas principais marcas de lingerie produzidas pelas mulheres, a Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia teve a idéia de criar as Indústrias Associadas há 29 anos, quando o preço do café caiu no mercado internacional, reduzindo a produção e os salários dos agricultores.

Ele explica que, em conseqüência da crise no setor, pequenos cafeicultores da região ficaram desesperados e acabaram migrando para as plantações ilegais como as de coca, contribuindo para o título da Colômbia de maior produtor de drogas do mundo, responsável por 70% da cocaína que circula no planeta e por 60% da heroína vendida nos Estados Unidos.

“Com a cooperativa, foi dada uma alternativa a essas mulheres e suas famílias”, afirma Pomes.

“Agora, elas podem dividir as despesas da casa com os maridos e contribuir para acabar com o consumo e a produção de drogas.”

O trabalho organizado dessas mulheres chamou a atenção da Organização das Nações Unidas (ONU), que passou a apoiar a iniciativa no final do ano passado.

“É muito preocupante saber que, nos últimos anos, os cultivos ilícitos migraram para áreas de tradição agrícola, como a zona cafeeira do Valle del Cauca”, disse Simonetta Grassi, representante adjunta da ONU na Colômbia.

“Por essa razão, a ONU decidiu participar desse projeto."

Comércio

A ONU estava buscando apoiar projetos no Valle del Cauca que pudessem reduzir as atividades ilegais, oferecendo empregos e lugares para as pessoas venderem seus produtos.

Ao descobrir as Indústrias Associadas, que já treinava mulheres pobres em uma nova atividade, a ONU acreditou que poderia ajudar melhorando o acesso delas ao mercado.

Segundo Simonetta, os produtos fabricados por elas estavam sendo vendidos apenas em lojas locais.

A ONU está ajudando a ampliar esse mercado, através de alianças estratégicas para a comercialização.

Com o aumento das vendas, acreedita Simonetta, mais mulheres poderão ser beneficiadas.

Exportação

A cooperativa, que conta com 12 centros de produção no Valle del Cauca, já começou a vender as calcinhas e sutiãs para as lojas da rede francesa de supermercados Carrefour na Colômbia.

“Começamos a exportar para Estados Unidos, Porto Rico, Venezuela, Panamá, Costa Rica, Equador e Espanha”, diz Pomes, ao informar que 50% da produção está indo para o mercado internacional.

“Estamos iniciando contatos com lojas do Carrefour no México, Brasil, Chile e Argentina. Em 2005, devemos entrar no mercado francês."

Segundo Gabriel Silva, gerente geral da Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia, a entidade está abrindo um universo de novas possibilidades para as comunidades rurais com essa parceria, que envolve, além da ONU, o Carrefour e a embaixada da França em Bogotá.

NOTÍCIAS RELACIONADAS
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade