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Na Colômbia, lingerie vira arma no combate ao tráfico | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Maria Rodríguez não tem saudades do tempo em que fazia faxinas, lavava e passava roupas, quando o que ganhava nem sempre dava para pagar as despesas do mês. Há 13 anos, desde que começou a trabalhar nas Indústrias Associadas, uma cooperativa de mulheres que produzem lingeries, sua vida mudou. As preocupações com a falta de dinheiro acabaram, porque o que ela ganha agora permite sustentar os dois filhos, além de ajudar a mãe e a irmã. Além disso, o trabalho de Maria na cooperativa, localizada na zona rural do Valle del Cauca, no sudoeste da Colômbia, também contribui para a diminuição do consumo e da produção de drogas no país. "Sem esse trabalho, nossa situação seria muito difícil. Assim como eu, a maioria das 900 cooperadas são chefes de família. A situação não é diferente para as casadas, também responsáveis pelo sustento de suas casas”, diz Maria. “Não sei o que poderia ter acontecido com a gente. É possível que algumas estivessem fazendo coisas erradas, envolvidas com cultivos ilícitos.” ONU Segundo Fernando Pomes, diretor geral das duas principais marcas de lingerie produzidas pelas mulheres, a Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia teve a idéia de criar as Indústrias Associadas há 29 anos, quando o preço do café caiu no mercado internacional, reduzindo a produção e os salários dos agricultores. Ele explica que, em conseqüência da crise no setor, pequenos cafeicultores da região ficaram desesperados e acabaram migrando para as plantações ilegais como as de coca, contribuindo para o título da Colômbia de maior produtor de drogas do mundo, responsável por 70% da cocaína que circula no planeta e por 60% da heroína vendida nos Estados Unidos. “Com a cooperativa, foi dada uma alternativa a essas mulheres e suas famílias”, afirma Pomes. “Agora, elas podem dividir as despesas da casa com os maridos e contribuir para acabar com o consumo e a produção de drogas.” O trabalho organizado dessas mulheres chamou a atenção da Organização das Nações Unidas (ONU), que passou a apoiar a iniciativa no final do ano passado. “É muito preocupante saber que, nos últimos anos, os cultivos ilícitos migraram para áreas de tradição agrícola, como a zona cafeeira do Valle del Cauca”, disse Simonetta Grassi, representante adjunta da ONU na Colômbia. “Por essa razão, a ONU decidiu participar desse projeto." Comércio A ONU estava buscando apoiar projetos no Valle del Cauca que pudessem reduzir as atividades ilegais, oferecendo empregos e lugares para as pessoas venderem seus produtos. Ao descobrir as Indústrias Associadas, que já treinava mulheres pobres em uma nova atividade, a ONU acreditou que poderia ajudar melhorando o acesso delas ao mercado. Segundo Simonetta, os produtos fabricados por elas estavam sendo vendidos apenas em lojas locais. A ONU está ajudando a ampliar esse mercado, através de alianças estratégicas para a comercialização. Com o aumento das vendas, acreedita Simonetta, mais mulheres poderão ser beneficiadas. Exportação A cooperativa, que conta com 12 centros de produção no Valle del Cauca, já começou a vender as calcinhas e sutiãs para as lojas da rede francesa de supermercados Carrefour na Colômbia. “Começamos a exportar para Estados Unidos, Porto Rico, Venezuela, Panamá, Costa Rica, Equador e Espanha”, diz Pomes, ao informar que 50% da produção está indo para o mercado internacional. “Estamos iniciando contatos com lojas do Carrefour no México, Brasil, Chile e Argentina. Em 2005, devemos entrar no mercado francês." Segundo Gabriel Silva, gerente geral da Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia, a entidade está abrindo um universo de novas possibilidades para as comunidades rurais com essa parceria, que envolve, além da ONU, o Carrefour e a embaixada da França em Bogotá. |
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