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Atualizado às: 06 de fevereiro, 2004 - 03h38 GMT (01h38 Brasília)
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Tenet 'defende CIA, mas não Casa Branca'

George Tenet, diretor-geral da CIA
Tenet defendeu as informações prestadas pela CIA sobre o Iraque.
O diretor-geral da CIA, George Tenet, veio a público nesta quinta-feira pela primeira vez desde maio do ano passado para fazer uma vigorosa defesa da chamada comunidade de inteligência dos Estados Unidos.

Tenet foi enfático ao reafirmar a qualidade das informações fornecida pelas agências, mas não endossou o uso feito delas pelo governo do presidente George W. Bush.

"Nunca dissemos que o Iraque era um perigo iminente", disse o diretor durante a apresentação a alunos e professores marcada com menos de 48 horas de antecedência na Universidade de Georgetown.

“Washington está jogando uma partida de futebol americano e cada um está tentando defender o seu lado”, avaliou o professor do programa de estudos de segurança da Universidade de Georgetown, Daniel Byman.

“Tenet não chegou a criticar a atual administração, mas apresentou as informações em termos bem diferentes daqueles usados pelo governo para justificar a guerra”, opinou o diretor dos programas de política de segurança da Universidade George Washington, Gordon Adams.

Bush

Adams observa que, se não criticou, diretor-geral da CIA tampouco confirmou as interpretações feitas pelo governo do presidente George W. Bush.

 Tenet deixou claro que a agência nunca apresentou o Iraque como um risco presente e imediato à segurança dos Estados Unidos como fizeram diversas autoridades.
Gordon Adams

“Tenet deixou claro que a agência nunca apresentou o Iraque como um risco presente e imediato à segurança dos Estados Unidos como fizeram diversas autoridades”, disse Adams.

“Há claramente uma diferença entre as informações que Tenet apresentou agora e aquelas transmitidas ao público pelo governo antes da guerra.”

Horas depois da apresentação, o presidente George W. Bush reafirmou em um discurso na Carolina do Sul a decisão do governo de ir à guerra no Iraque.

“Com o que sabíamos então e com o que sabemos hoje, me parece acertada a decisão de tomar uma ação no Iraque”, disse o presidente em uma visita ao Estado que, na terça-feira, estava no foco da mídia por conta da primária democrata.

Cobrança

Para o professor Daniel Byman, a CIA vai sofrer uma cobrança maior do que o próprio governo.

 Se descobertas no Iraque não confirmarem as informações apresentadas pela agência, as críticas vão ser muito fortes.
Daniel Byman

“Se descobertas no Iraque não confirmarem as informações apresentadas pela agência, as críticas vão ser muito fortes”, avalia.

Na sua apresentação, Tenet já admitiu que a CIA pode ter “superestimado os avanços do Iraque em direção à tecnologia de armas nucleares.”

Mas o diretor da CIA disse que o trabalho de investigação em território iraquiano está longe do fim e que muito ainda pode aparecer.

A mesma afirmação já havia sido feita pelo secretário de Defesa americano, Donald Rumsfeld, em encontro com parlamentares.

"Ainda temos muito trabalho no Iraque", disse.

"Demoramos dez meses para encontrar Saddan Hussein em um buraco e, ao contrário dele, as armas podem ficar enterradas o tempo todo", disse.

Objetividade

George Tenet também disse que, no mundo da espionagem, as coisas não podem ser vistas de maneira tão objetiva.

 Quando descobrirmos tudo o que havia por descobrir no Iraque, não vamos estar nem completamente certos nem completamente errados.
George Tenet

“Quando descobrirmos tudo o que havia por descobrir no Iraque, não vamos estar nem completamente certos nem completamente errados”, disse Tenet.

Espera-se que o presidente Bush apresente em breve – talvez nesta sexta-feira – os nomes dos membros da comissão que vai investigar o assunto.

Mas, mais do que nomes, o mistério até agora é exatamente o que esta comissão vai investigar.

Referência

“Ainda não foram apresentados os termos de referência que definem o mandato e os limites deste inquérito, e acho que isto só vai acontecer depois que comissão for nomeada”, diz Gordon Adams.

A partir daí, os holofotes vão virar para o lado de Washington que estiver sendo investigado.

Adams diz que se o termo de referência definir um inquérito apenas para avaliar a qualidade da informação a respeito do Iraque, toda a investigação vai ser centrada nos serviços de informação.

Por outro lado, “se o termo de referência incluir uma investigação no modo como a informação foi usada no processo de tomada de decisão, tudo passa a apontar para o lado do governo”, avalia o professor.

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