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EUA bloqueiam bens da Argentina por causa de dívida | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A Justiça do Estado americano de Maryland determinou, através de medida cautelar, a "inibição" temporária de quatro depósitos de materiais militares da Força Aérea e da Marinha argentina nos Estados Unidos. O próximo passo seria o embargo total dos bens, que incluem aviões e peças de aviões. Oficiais de Justiça ocuparam os galpões na quinta-feira e impediram a entrada dos empregados argentinos no local. A informação foi publicada pelo jornal Clarín e confirmada à BBC Brasil por assessores da Casa Rosada. O governo estaria disposto a apelar contra a decisão, como afirmou o ministro da Defesa da Argentina, José Pampurro. Para isso, o Estado argentino terá um prazo de 30 dias. "Os adidos militares argentinos em Washington nos informaram sobre esta inibição. Estou preocupado porque são fundos especulativos que atuam contra o Estado argentino", disse o ministro em entrevista à rádio América. Esta é a primeira medida judicial adotada nos Estados Unidos a favor daqueles que compraram papéis da dívida argentina e que foram alvo da moratória da dívida do país em dezembro de 2001. A ação na Justiça de Maryland foi impetrada por um fundo de investimentos que solicita o pagamento de US$ 279 milhões a seus investidores. Especula-se que os galpões e seus conteúdos não superem os US$ 3 milhões, de acordo com Pampurro. Embargo Na última sexta-feira, 30 de janeiro, venceu o prazo concedido pelo juiz de Nova York, Thomas Griesa, para que o governo argentino apresentasse uma proposta final aos donos de papéis do Estado. A partir de então, os bens argentinos comerciais estariam vulneráveis ao embargo. Na lista de bens que o governo teme que possam ser embargados estariam depósitos do Estado em ouro, dólar e euro, além do avião presidencial Tango 01. Atualmente, funcionários e diplomatas argentinos na Alemanha já recebem seus salários através de mala direta, já que suas contas estão bloqueadas, por ordem da Justiça alemã. Para o economista Júlio Piekarz, da consultoria IBCP, muitas perguntas ainda estão no ar, como por exemplo se a decisão do juiz de Nova York se aplica ou não a outros Estados, como Maryland, e se está sendo ou não cumprido prazo prévio de trinta dias para a aplicação de embargos. "Mas sem dúvida nenhuma, tudo é preocupante e afeta a imagem da Argentina", disse Piekarz à BBC Brasil. O episódio de Maryland mereceu o apoio dos argentinos que compraram papéis da dívida do seu país, como afirmaram dois deles à BBC Brasil. Além disso, a medida ocorre num momento em que o governo trava nova queda de braço com o Fundo Monetário Internacional (FMI). FMI O Fundo exige que a Argentina avance na negociação para o pagamento de uma dívida de US$ 88 bilhões. Lavagna já avisou que não pretende mudar a proposta feita de se pagar com um desconto de 75% do valor original. Em meio a essa discussão, o governo argentino ameaça não pagar o vencimento de US$ 3,1 milhões ao FMI no dia 9 de março. As autoridades argentinas querem o compromisso da instituição financeira de que o dinheiro será reembolsado aos cofres do país – o que ainda não está garantido, até porque os países que têm voto decisivo no Fundo estão divididos, pela primeira vez, sobre a questão argentina. Na última revisão das contas do país, Grã-Bretanha, Itália e Japão preferiram se abster de votar em favor do país. Agora, Lavagna teme que o mesmo seja ocorra na revisão das contas argentinas em março, conforme previsto no acordo assinado ano passado com o Fundo. A situação está sendo acompanhada atentamente pelos argentinos que compraram papéis da dívida do país. Eles formam a maioria do grupo afetado com a moratória de 2001. "A justiça está sendo feita. A decisão judicial mostra que no exterior estão alertando o governo argentino de que ele não está indo por um bom caminho ao resistir tanto em negociar o pagamento desta dívida", afirmou Pierino Garrafa, que investiu nos bônus argentinos e hoje integra a Associação dos Danificados pela Pesificação e Default (moratória). A associação representa 500 mil poupadores argentinos que aplicaram nos papéis da dívida do Estado. É também o caso do engenheiro eletrônico desempregado Horácio Vásquez, que comemorou a decisão da Justiça de Maryland. "O único problema é que metade desta dívida não paga está nas mãos de argentinos", lamentou. |
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