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Nigerianos se dizem inocentes em fraude do Noroeste | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Cinco nigerianos acusados de desviar mais de US$ 240 milhões (mais de R$ 700 milhões) do Banco Noroeste, de São Paulo, em 2001, se declararam inocentes no início do seu julgamento em Abuja, na Nigéria. Os cinco estão agora presos e deverão comparecer a um tribunal novamente na próxima quarta-feira, dia 11. Segundo a agência de notícias France Presse, o juiz que presidiu a audiência negou o pedido de liberdade sob fiança feito pelo advogado de defesa dos réus. Eles são acusados de convencer o o ex-diretor do Noroeste Nelson Sakaguchi a fazer uma série de pagamentos supostamente como parte de um projeto de construção de um aeroporto em Lagos, a capital nigeriana. Os acusados teriam convencido o brasileiro de que ele receberia uma comissão do valor da obra, que na verdade nem existia. Sakaguchi está preso na Suíça desde 2002. Golpe '419' Esse é o maior caso já registrado do "419 nigeriano", golpe já conhecido pela justiça do país a ponto de ser famoso pelo número do artigo da lei que o tipifica – como o 171, que tipifica o estelionato no Brasil. "Além de envolver o maior caso de 419 até agora, ele também deixa trilhas que levam a outros casos nos Estados Unidos, na Grã-Bretanha e a na Suíça", disse à Agência France Presse o chefe da agência anticorrupção da Nigéria, Nuhu Ribadu. Os autores de um 419 nigeriano – golpe aplicado há mais de 20 anos – começam enviando cartas para milhares de pessoas prometendo comissões milionárias em obras irregulares na Nigéria. "À primeira vista parece difícil acreditar que qualquer um entraria em relação tão duvidosa, mas um grande número de vítimas acaba acreditando que foi escolhida em meio às massas para dividir milhões em lucros sem fazer nada", informa uma advertência sobre o golpe na página da divisão de crimes financeiros do Serviço Secreto dos Estados Unidos. "A carta costuma ser assinada por um funcionário de um dos ministérios nigerianos, normalmente da Corporação Nacional de Petróleo da Nigéria. As cartas dizem que houve sobras de dinheiro em obras do governo que poderiam ser depositadas no exterior ao invés de devolvidas", diz o documento. Histórico A fraude no Banco Noroeste é a maior já registrada na história do Brasil, e foi descoberta em 1998, durante o processo de venda do banco para o espanhol Santander. Foram desviados US$ 242 milhões, que correspondem a quase a metade do valor do Noroeste, vendido por US$ 500 milhões (mais de R$ 1,4 bilhão). O dinheiro teria sido desviado do Noroeste em Cayman para duas contas na Suíça, e de lá, para contas de Emmanuel Odeiniguwe e de familiares e amigos de Naresh e Shamdas Asnani. O brasileiro Sakaguchi alega ter cumprido ordens, e está movendo uma ação trabalhista contra o Noroeste. Os ex-controladores do banco, as famílias Cochrane e Simonsen, aceitaram receber apenas metade do dinheiro pago pelo Santander para cobrir o rombo. As famílias contrataram um escritório de advogados para descobrir a trama e tentar reaver o dinheiro. |
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