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Atualizado às: 04 de fevereiro, 2004 - 12h17 GMT (10h17 Brasília)
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Especialista questiona dossiê de Blair sobre o Iraque
O primeiro-ministro Tony Blair
Blair autorizou um inquérito sobre a atuação dos serviços de inteligência
Um ex-alto integrante do Serviço de Inteligência da Defesa (DIS, sigla em inglês) da Grã-Bretanha colocou novamente em dúvida a precisão das informações de um dossiê sobre as armas de destruição em massa do Iraque apresentado pelo governo britânico como justificativa para ir à guerra.

Brian Jones disse ao diário The Independent que o DIS acreditava que algumas advertências cautelosas sobre as armas químicas e biológicas iraquianas deveriam ser feitas.

Mas, acrescentou o especialista, a opinião dos funcionários que trabalhavam com o tema foi rejeitada pelos chefes das agências de inteligência.

O resultado, na opinião de Jones, foi a compilação de um dossiê enganoso sobre as capacidades militares do regime de Saddam Hussein.

Hutton

Na semana passada, o relatório Hutton – resultado de uma investigação sobre a morte do especialista em armas David Kelly – concluiu que o escritório do primeiro-ministro Tony Blair não inseriu informações no dossiê a contragosto dos serviços de inteligência.

Nos últimos meses, Blair tem sido obrigado a lidar com críticas sobre a atuação de seu governo. Enfrentou acusações de que teria maquiado o dossiê sobre as armas de Saddam, apresentando-o como um risco maior do que era realmente com o objetivo de justificar a ofensiva militar.

Como os arsenais iraquianos ainda não foram encontrados, Blair acabou cedendo à pressão esta semana e autorizando a realização de um inquérito independente sobre as informações de inteligência utilizadas.

Brian Jones liderava o departamento que monitora a proliferação de armas químicas, biológicas e nucleares do Serviço de Inteligência da Defesa.

Segundo ele, os chefes da inteligência britânica rejeitaram as informações de uma equipe que, ao seu ver, seria o "principal grupo de analistas do Ocidente" sobre o tema.

Jones disse ainda que, se há informações secretas que levaram os chefes da inteligência a agir como agiram, esses dados devem ser publicados para que a questão seja esclarecida.

O líder do Partido Conservador (oposição), Michael Howard, também pediu a publicação dessas informações caso elas existam.

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