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Brasileiro defende atuação do país em luta por desarmamento
O brasileiro Marcos Azambuja defendeu nesta quinta-feira na capital sueca a participação do Brasil na luta contra o desarmamento mundial. Ex-embaixador na França e ex-chefe da Delegação do Brasil para Assuntos de Desarmamento em Genebra, Azambuja participa em Estocolmo da primeira reunião da nova Comissão contra Armas de Destruição em Massa, presidida pelo ex-inspetor de armas da ONU Hans Blix. Convidado pessoalmente por Blix a integrar a Comissão, Azambuja afirmou que o Brasil é um sócio necessário para um sistema de segurança eficaz. "O Brasil tem hoje um peso mundial e, portanto, tem condições de trabalhar para que outros países se sintam induzidos a seguir o nosso caminho. Sobretudo em relação aos países em desenvolvimento, é preciso trabalhar para que recursos já escassos não sejam usados em corridas de armamentos", enfatizou Azambuja. Conselho Para Azambuja, a obtenção de um assento permanente para o Brasil no Conselho de Segurança da ONU é uma "questão de semanas, ou meses". "Vejo com tal naturalidade o ingresso do Brasil no Conselho de Segurança que a questão, na realidade, é apenas do momento, daqui a semanas, ou meses." "O Brasil tem que estar em um órgão dessa natureza porque tem uma massa crítica, um peso específico, que obriga a sua presença. Somos de fato um sócio necessário para um sistema de segurança eficaz." A nova Comissão chefiada por Blix abriu sua primeira reunião alertando para a necessidade urgente de uma nova avaliação do perigo representado pelas armas químicas, nucleares e biológicas no mundo. A comissão alertou para a ameaça representada pela tecnologia aplicada à biociência, que pode ter aplicações militares devastadoras: o século 21, segundo a organização de Blix, pode se tornar o século da biociência. 'Medidas concretas' A tarefa da nova Comissão, de acordo com Hans Blix, será propor idéias concretas para reduzir a ameaça destas armas no mundo. "A Guerra Fria acabou, e novas ameaças pairam sobre o mundo. Há 50 anos, o mundo luta pela não-proliferação de armas e pelo desarmamento." "É preciso uma nova avaliação da situação, que resulte em medidas concretas para reduzir estas ameaças", disse Blix, enfatizando o caráter independente da Comissão. Ele ressaltou que é preciso privilegiar a resolução pacífica das questões de desarmamento e contestou a afirmação do Ministro das Relações Exteriores britânico, Jack Straw, de que a ação militar no Iraque favoreceu o diálogo de desarmamento com países como Irã e Líbia. Comparação "Não sei até que ponto a guerra no Iraque teve um efeito positivo sobre o diálogo com a Líbia, uma vez que a política da diplomacia aliada a sanções já vinha produzindo resultados favoráveis", disse Blix. "Esse é um processo que já vinha acontecendo e que tem uma causalidade mais complexa. Portanto, tenho alguma relutância em ver que, do que se fez no Iraque, tenha decorrido coisas estruturalmente boas em outros países. Talvez alguma correlação haja, mas ela não me parece de causalidade direta", concordou Azambuja. "E é preciso ter em mente o elemento do custo, além do custo humano", acrescenta Blix. "Após o ataque, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha encontraram tão pouco no Iraque em termos de armamentos quanto nós encontramos durante nossa inspeção de armas, mas gastaram muito mais." Os 14 comissários – entre eles, William Perry, ex-secretário de Defesa do governo Bill Clinton – acompanharão de perto os desenvolvimentos no Irã, Coréia do Norte e Líbia. A Comissão não estará envolvida em inspeções de armas, mas irá trabalhar em estreita colaboração com governos e organismos internacionais. "Os desafios são múltiplos", afirmou Azambuja. "Até porque, em termos de armas de destruição em massa, a verdade não é a moeda." |
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