BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 18 de setembro, 2003 - 08h42 GMT (05h42 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Blix critica exagero em dossiê britânico sobre o Iraque
Hans Blix
Hans Blix já tinha anteriormente criticado Tony Blair sobre dossiê de armas do Iraque

O ex-chefe dos inspetores de armas das Nações Unidas (ONU), Hans Blix, acusou o governo britânico de exagerar nas alegações incluídas no dossiê sobre as armas de destruição em massa do Iraque.

Blix criticou a "cultura de manipulação e exagero" do governo britânico e disse à BBC que espera que os governos de Estados Unidos e Grã-Bretanha sejam mais cautelosos ao utilizar seus serviços de inteligência no futuro.

Hans Blix comparou a maneira como os britânicos e os americanos foram convencidos de que o Iraque tinha programas de armas de destruição em massa à forma como as pessoas na Idade Média eram levadas a acreditar que bruxas existiam.

Em resposta às declarações de Blix, o Ministério de Relações Exteriores da Grã-Bretanha disse que a posse de armas de destruição em massa pelo regime de Saddam Hussein era um fato e que a busca por elas vai continuar.

Conclusões diversas

Os comentários do ex-chefe de inspetores ocorrem em meio ao inquérito Hutton, que analisa as circunstâncias que levaram à morte do especialista em armas britânico David Kelly, que aparentemente se matou depois de ter sido identificado como a fonte de uma reportagem da BBC que dizia que o governo tinha "maquiado" o dossiê.

"Os jornais britânicos publicados em setembro do ano passado traziam as famosas palavras sobre os 45 minutos (tempo que Saddam Hussein precisaria para ativar seu arsenal de armas de destruição em massa, segundo o dossiê britânico). Quando você lê o texto, a impressão que se tem é que a idéia é convencer o leitor e levá-lo a concluir algo que está além do que o texto diz", afirmou Blix.

"Uma pessoa pode ler irrestritamente esse texto, mas alguém pode chegar a conclusões diversas, e eu acho que muitas pessoas o fizeram."

O ex-chefe dos inspetores disse ainda que exagero, manipulação e superexposição prejudicaram a credibilidade do governo britânico.

Geladeira

"Nós sabemos que os publicitários vão anunciar uma geladeira de uma forma que eles próprios não a vêem, mas você espera que governos sejam mais sérios e tenham mais credibilidade", disse Blix.

O ex-chefe dos inspetores acusou os governos dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha de exagerar na interpretação das informações reunidas pelos seus serviços de inteligência.

"Eles estavam convencidos de que Saddam estava indo nessa direção, e eu acho que é compreensível frente ao passado desse homem", disse Hans Blix.

"Mas, na Idade Média, a população foi convencida de que existiam bruxas. A pessoa buscava por elas e certamente as encontrava."

Paciência

"Isso é um pouco arriscado. Acho que deveríamos ser mais justos, dizendo que queremos ter provas reais", concluiu Blix.

Hans Blix disse ainda que a coalizão poderia ter esperado e continuado com as inspeções da ONU por mais alguns meses, mas não teve paciência para isso.

Agora, diz Blix, os inspetores americanos e britânicos estão livres para ir onde quiserem no Iraque e pedem paciência, o que não tiveram com as Nações Unidas.

Blix tinha criticado anteriormente o primeiro-ministro britânico Tony Blair por ter cometido um "erro fundamental" ao dizer que Saddam Hussein poderia disponibilizar armas de destruição em massa em 45 minutos.

Armas destruídas

Um dia antes de conceder a entrevista à BBC, Blix já havia dito que o Iraque provavelmente destruiu todas as suas armas de destruição em massa há mais de dez anos.

"Sucessivas resoluções do Conselho de Segurança da ONU concluíram não só que Saddam tinha esse arsenal, mas que ele tinha usado essas armas contra seu próprio povo. O relatório de 173 páginas de Hans Blix discrimina, em detalhes, a história de obstrução ao trabalho dos inspetores das Nações Unidas por parte de Saddam Hussein", disse um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores britânico em resposta às declarações de Blix.

"O processo de busca de armas de destruição em massa continua. Vai ser minucioso e sério, apesar das dificuldades de segurança no local", acrescentou.

O porta-voz enfatizou que o Comitê de Inteligência e Segurança do Parlamento britânico concluiu que havia informações suficientes sobre um programa químico, biológico e nuclear ativo no Iraque e sua capacidade de produzir armas químicas e biológicas, assim como continuar com armas balísticas.

NOTÍCIAS RELACIONADAS
LINKS EXTERNOS
A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade