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Irmã de Kirchner é maior defensora do governo
A maior defensora do presidente argentino Néstor Kirchner é sua irmã, Alícia Kirchner, ministra do Desenvolvimento Social. Nos rápidos discursos que realiza em cada creche de bairros carentes, Alícia Kirchner condena o “menemismo”, referência ao governo do ex-presidente Carlos Menem, e o “clientelismo” político. Assistente social, com doutorado em trabalho social, aos 55 anos de idade, ela contribui para consolidar o apoio popular dado ao irmão-presidente, em torno dos 70%, de acordo com diferentes pesquisas de opinião. Esta semana, numa viagem à localidade de São Francisco Solano, no município de Quilmes, na província de Buenos Aires, o maior colégio eleitoral da Argentina, a ministra foi enfática: “Não podemos ter um olhar único sobre os desafios que nos esperam. Olha só como ficamos graças ao discurso único que a cultura menemista nos mostrou.” Desafio Segundo ela, o desafio do governo federal é ouvir diferentes setores e, com a presença do Estado, estimular pequenos empreendimentos, gerando trabalho para os cerca de 2 milhões de argentinos que hoje, segundo dados oficiais, estão na pobreza. Quando pegou o microfone para falar às platéias reunidas nas três creches que visitou em São Francisco Solano, onde o esgoto corre a céu aberto e o sol era forte, Alícia Kirchner parecia atuar como militante política do governo do irmão-presidente. “A política mais importante é planejada aqui, na realidade, e não atrás de uma mesa de escritório. E por isso visitar as creches e empreendimentos é trabalhar em política social.” Segundo os seus assessores, ela realiza cinco viagens semanais a diferentes pontos do país. Alícia Kirchner vem sendo chamada de “super-ministra” por ser a responsável por um dos principais orçamentos do Estado e por ter que administrar a área mais sensível do governo atual, que consiste em ocupar os argentinos desempregados que sobrevivem graças ao chamado programa “Chefes e chefas de lares”. Eles recebem 150 pesos mensais e, em muitos casos, como observa o cientista político Júlio Burdman, do Centro de Estudos União para a Nova Maioria, obedecem a um líder piqueteiro. Olhar semelhante ao do irmão, loura, sorridente, ela ouviu a queixa de diferentes moradores. 'Evita Péron' Apesar disso, fez questão de ressaltar que, ao contrário do que se afirma no país, não tem pretensões de ser uma “nova Evita Perón”, referência à ex-primeira-dama, defensora dos descamisados. Casada, mãe de duas filhas, ela não mostra simpatia quando perguntada se chegou ao posto por ser irmã do presidente da República. “Ocupo o cargo que ocupo pelo trabalho que realizo há anos”, limita-se a dizer. Alícia Kirchner entrou para a vida pública em 1983, como subsecretária de Ação Social da província de Santa Cruz, terra onde foi criada com o irmão, na Patagônia. Foi secretária da mesma pasta quando Néstor Kirchner foi prefeito e governador e também ocupou o cargo de assessora da Comissão de Educação e Família no Senado Federal. Atualmente, conta com apoio de ONGs (organizaçoes não-governamentais) para distribuir, por exemplo, máquinas de costuras em locais necessitados e catalogados pelas entidades e governos locais. |
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