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Atualizado às: 16 de janeiro, 2004 - 00h37 GMT (22h37 Brasília)
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DaimlerChrysler é acusada de abusos dos direitos humanos
Ativistas argentinos
Os militares argentinos são acusados de ter promovido uma 'guerra suja'

A DaimlerChrysler, um das maiores montadoras de automóveis do planeta e controladora da marca Mercedes-Benz, está sendo acusada de ter colaborado com abusos de direitos humanos na Argentina na década de 70.

Um grupo de argentinos está processando a empresa nos Estados Unidos por supostos crimes contra dissidentes de esquerda durante a chamada "guerra suja" dos governos militares contra a oposição.

Na ação, eles afirmam que gerentes da fábrica da Mercedes-Benz no país foram cúmplices em casos de seqüestros, torturas e assassinatos de funcionários sindicalizados.

Antes do processo, uma auditoria interna da empresa declarou não ter encontrado indícios de abusos.

Turbulências

A DaimlerChrysler é acusada de ter se aproveitado da turbulência política na Argentina.

O regime militar que vigorou no país entre 1976 e 1983 perseguiu esquerdistas, intelectuais e jornalistas.

De acordo com a ação, a empresa utilizou a campanha do governo contra a oposição como pretexto para intimidar as organizações trabalhistas na sua fábrica de Buenos Aires, dando livre entrada às forças de segurança argentinas.

A DaimlerChrysler encomendou uma auditoria externa, coordenada pelo professor de direito alemão Christian Tomuschat, há um ano.

O relatório, publicado no mês passado, isentou a empresa de qualquer envolvimento em crimes contra os direitos humanos.

Lei

O processo dos argentinos explora uma lei americana de 1789, pode ser interpretada de forma a permitir o acesso de vítimas de injustiça de todo o mundo às cortes americanas.

Várias ações sob esse artigo correm na Justiça americana contra firmas como as petrolíferas Unocal, ExxonMobil e ChevronTexaco.

No ano passado, um fabricante de roupas pagou US$ 20 milhões para encerrar um processo baseado nessa lei.

Nessa ação, trabalhadores da Ilha de Saipan, no Pacífico, alegavam ter sofrido abusos.

Até hoje, no entanto, nenhuma das ações chegou a ser efetivamente julgada, e muitos juristas se recusam a acreditar que essa lei transforme os Estados Unidos em uma corte de direitos humanos para o mundo.

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