|
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Brasil e Argentina ficaram 'mais unidos' em 2003
O ano de 2003 marcou a virada da imagem do Brasil na Argentina. Também foi a primeira vez na história recente dos dois países que o governo argentino reconheceu o "peso" do seu vizinho e principal sócio dentro do Mercosul. As observações foram feitas à BBC Brasil por diplomatas brasileiros e assessores da própria administração argentina. Fatos que ocorreram nos últimos tempos simbolizam essa mudança na relação entre os dois países. Os exemplos vão desde a decisiva presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao lado do então candidato Néstor Kirchner, ainda durante a campanha presidencial argentina, até a participação de um diplomata argentino na delegação brasileira representada no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Parcerias Mas tanto entre as autoridades brasileiras quanto entre as argentinas, prefere-se falar em "parcerias" e não em "lideranças". "Nós estamos mais unidos do que nunca e começamos, finalmente, a interessar-nos um pelo outro", afirmou o ex-vice-presidente da Argentina, Carlos Chacho Alvarez, que lançou o livro A Argentina de Kirchner e o Brasil de Lula. Ao lado do assessor especial do Palácio do Planalto, Marco Aurélio Garcia, Chacho fez questão de ressaltar que ninguém está discutindo "lideranças". Um assessor de Kirchner, que preferiu o anonimato, discorda: "O governo argentino não tem alternativa a não ser reconhecer a importância do Brasil, o que já é demonstrado pelos países do primeiro mundo e também pelos organismos multilaterais de crédito". Para o mesmo assessor, o governo do presidente Lula também ganha mais "protagonismo" nas decisões internacionais porque já definiu a sua política externa, o que ainda não está "tão claro", segundo ele, na Argentina – especialmente a relação com o governo do presidente americano George W. Bush. Comércio Curiosamente, apesar da maior aproximação política e até cultural, este foi um dos piores anos comerciais para os dois países. Fato que levou a Argentina a buscar novos mercados, como a China, para onde suas exportações subiram cerca de 140% este ano em comparação a 2002. Ao mesmo tempo, a Argentina queixou-se da "invasão" de produtos brasileiros, mas economistas como o argentino Dante Sica, do Centro de Estudos Bonaerenses, e o embaixador do Brasil, José Botafogo Gonçalves, observaram que a "invasão" foi setorial. Em 2003 também ficou claro, como é reconhecido no Itamaraty e na Casa Rosada, que a relação entre os dois países "não é simples". Ou seja, ao mesmo tempo em que o presidente Kirchner termina o ano criticando as exigências do FMI, o Brasil recebe novo aval do Fundo e evita represálias públicas contra o organismo. Apoio Nos bastidores do governo argentino, esperou-se, várias vezes no ano, o apoio público do governo brasileiro à Argentina frente ao Fundo. "O apoio do Brasil era fundamental pelo seu peso e para mostrarmos que estamos unidos e na mesma linha", afirmou um assessor muito próximo a Kirchner. A declaração foi feita no dia em que Kirchner decidiu desafiar o FMI exigindo que preocupações sociais fossem incluídas no último acordo e que a palavra "ajuste" desaparecesse de vez. "Com o apoio e a força do Brasil, tudo teria sido mais fácil", lamentou o interlocutor de Kirchner, reconhecendo a influência do vizinho no destino de seu país. |
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||