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Três fiscais de trabalho escravo são mortos em Minas
Três fiscais do trabalho e um motorista do Ministério do Trabalho foram mortos numa emboscada nesta quarta-feira, quando voltavam de uma fazenda no norte de Minas Gerais. Os fiscais Eratostenes de Almeida Gonçaves, Nelson José da Silva e João Batista Soares Lages morreram na hora. O motorista Ailton Pereira de Oliveira ainda foi levado com vida para o Hospital de Base, em Brasília, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital. O ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, que tomou posse na terça-feira, foi para o local junto com o secretário especial de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, para se informar melhor sobre o crime. O governo divulgou uma nota à imprensa na qual lamenta o crime e promete uma investigação ampla do caso. "Essa brutalidade não ficará impune, pois todos os recursos foram mobilizados para a identificação dos criminosos", diz a nota, assinada pelo Presidente em exercício, José Alencar. Os funcionários do ministério foram vítimas de uma emboscada na estrada entre as cidades de Unai e Paracatu, próximo da visita de Minas com Goiás. De acordo com o governo, os fiscais estavam fazendo uma visita de rotina, sem atender a nenhuma denúncia específica. O ministério aumenta a fiscalização nas fazendas da região nesta época de colheita. Trabalho escravo Entre outras irregularidades, a intenção é investigar casos de trabalho escravo. O delegado regional do Trabalho de Minas Gerais, Carlos Calazans, que esteve no local, disse que os auditores assassinados não estavam investigando nenhuma denúncia específica, mas fazendo um trabalho de rotina por causa da época de colheita de feijão. “Quando investigamos denúncia agentes da Polícia Federal acompanham os fiscais”, disse Calazans. Ele salientou que esta foi a primeira vez que funcionários do Ministério do Trabalho são mortos enquanto estão trabalhando. “Por isso estamos chocados”, disse o delegado. A Delegacia Regional do Trabalho de Minas Gerais informou, no entanto, que um dos auditores, Nelson José da Silva, baseado em Paracatu, já havia sido ameaçado de morte no ano passado, durante uma outra fiscalização. A Polícia ainda não sabe se o crime está ligado com esta ameaça. O material de trabalho dos fiscais, que estava na região desde segunda-feira, será investigada pela Polícia Federal, que vai verificar se houve alguma autuação mais grave. Os três auditores e o motorista receberam tiros na cabeça. Os três auditores morreram na hora e o motorista, mesmo baleado, conseguiu dirigir até uma estrada principal onde foi socorrido e levado para Brasília, mas morreu no Hospital de Base algumas horas depois. Segundo Calazans, denúncias de trabalho escravo não são comuns naquela região. “As irregularidades em geral apontam a precariedade das relações de trabalho, como falta de registro profissional e trabalho além da jornada legal”, afirmou. De acordo com o Ministério do Trabalho, no ano passado 4.932 pessoas foram libertadas em operações contra trabalho escravo – 90% dos casos aconteceram nos estados do Pará, Maranhão, Mato Grosso e Bahia. |
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