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ONU quer lembrar escravidão em 2004
A Organização das Nações Unidas (ONU) lançou o Ano Internacional de Comemoração da Luta Contra a Escravidão e sua Abolição em uma cerimônia no porto de Cape Coast, em Gana, na África Ocidental. Cape Coast foi um dos centros mais ativos de tráfico de escravos no passado. Lá ainda existe um castelo que foi declarado Patrimônio da Histórico da Humanidade e é uma das principais atrações turísticas de Gana. O diretor da Unesco (a agência da ONU para educação, ciência e cultura), Koichiro Matsuura, em visita a Gana, disse que a escravidão foi uma tragédia não reconhecida durante muitos anos. Matsuura afirmou que ao lembrar desse evento, as Nações Unidas querem expressar solidariedade e compromisso com aqueles que ainda não gozam dos direitos humanos básicos. O representante da Unesco disse que a história do tráfico escravo deveria ter lugar pleno nos livros escolares de todos os países. Direitos Humanos A escravidão foi proibida pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1949, e por uma convenção suplementar da ONU aprovada em 1956, mas ainda existe em várias partes do mundo em formas diferentes. Estima-se que mais de 20 milhões de pessoas são escravizadas em trabalho compulsório para pagar supostas dívidas. Beth Herzfeld, da organização não-governamental Anti-Slavery International, disse à BBC que "o tráfico escravo através do Atlântico deixou um legado que inclui a xenofobia e o racismo". Segundo ela, "nós ainda vivemos os efeitos disso". Em algumas partes da África ainda existe uma classe de escravos hereditários e trabalho compulsório ainda é comum no sul da Ásia. Também começam a surgir novas formas de escravidão, como o tráfico de mulheres e meninas para trabalharem compulsoriamente na indústria do sexo na Europa. A escravidão foi abolida no Brasil em 1888, mas ainda existe. Segundo a repórter da BBC Brasil Cassuça Benevides, os escravos brasileiros contemporâneos são agricultores recrutados por empreiteiros (apelidados de gatos) e levados para trabalhar em latifúndios, às vezes a mais de mil quilômetros do lugar onde moram. Não existem dados confiáveis, mas as estimativas é que eles formem um contingente de 15 a 40 mil trabalhadores. "Quando chegam, eles descobrem que já devem o transporte e a alimentação da viagem. Uma dívida que se perpetua e que sempre é maior do que o salário a ser recebido", afirma Benevides. |
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