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Bremer diz que pode adaptar transição no Iraque
Depois de uma reunião com o presidente George W. Bush, em Washington, nesta sexta-feira, o administrador americano do Iraque, Paul Bremer, admitiu rever o plano de transição de poder no Iraque. Ele também procurou minimizar as diferenças com o grão-aiatolá Ali al-Sistani, o principal líder xiita do país. Bremer disse em entrevista após o encontro com Bush na Casa Branca que Sistani concorda em muitos pontos com os americanos. O administrador americano afirmou ainda que respeita profundamente o líder religioso, mas que dificilmente serão convocadas eleições diretas, como querem os xiitas. Bremer disse ainda que os americanos devem se ater ao seu cronograma de ações, que prevê a entrega da soberania do Iraque para o mês de junho. Insatisfação Os xiitas, que representam a maioria da população do Iraque, estão insatisfeitos com os planos americanos para o país e exigem eleições antes da transição de poder. O correspondente da BBC em Washington, Justin Webb, afirmou que, se a data da entrega de poder for postergada, as preocupações sobre a situação no Iraque podem atrapalhar os planos de reeleição de Bush. Bremer disse que vai se encontrar com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, na segunda-feira para pedir o envolvimento da ONU no processo de transição. Na quinta-feira, dezenas de milhares de iraquianos xiitas participaram de uma passeata na cidade de Basra, no sul do Iraque, contra esses planos dos Estados Unidos. No mesmo dia, Hojat Al-Islam Ali Abdulhakim Alsafi, um dos principais líderes xiitas do Iraque, enviou uma carta a Bush e ao seu principal aliado, o britânico Tony Blair, em que acusa os planos americanos de terem mais a ver com o processo eleitoral dos Estados Unidos do que com os interesses do Iraque. Resistência A resistência aos planos americanos tem sido coordenada pelo aiatolá Sistani. A força do aiatolá foi exibida na manifestação de quinta-feira, quando muitos dos milhares de participantes da passeata carregavam retratos dele. O Departamento de Estado americano afirmou que considera manifestações "fundamentalmente uma coisa boa", acrescentando que leva o sentimento da população a sério. No entanto, a oposição implacável do aiatolá põe o governo americano em uma posição difícil, afirma o correspondente da BBC em Washington, Justin Webb. O encontro entre Bush e Bremer deve servir para decidir se os Estados Unidos levam o seu plano adiante, sob o risco de o aiatolá baixar um decreto religioso que poderia minar a legitimidade do próximo governo, ou se voltam atrás. |
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