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Atualizado às: 12 de janeiro, 2004 - 18h45 GMT (16h45 Brasília)
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Análise: O processo de paz entre Israel e Síria

Colinas de Golã
Israel inicialmente demonstrou indiferença sobre as negociações

Nunca houve muita chance do presidente da Síria, Bashar al-Assad, aceitar o convite de Israel para visitar Jerusalém.

Nos anos 70, o presidente egípcio Sadat foi a Israel para negociações que levaram ao acordo de paz de Camp David.

Mas a Síria não é o Egito, e Assad não quer ser um outro Sadat.

Quando o líder sírio demonstrou sua disposição às conversações de paz, numa entrevista ao jornal New York Times, em 1º de dezembro, ele tinha algo diferente em mente.

Estratégia

Sua abertura para o diálogo se originou de um desejo genuíno de assegurar o retorno das Colinas de Golã, capturadas por Israel em 1967.

Mas também foi uma resposta às acusações dos Estados Unidos de que a Síria teria ligações com o terrorismo e a violência no Iraque, além de estar desenvolvendo armas de destruição em massa.

A restauração do processo de paz entre Israel e Síria seria uma maneira de desviar a pressão do governo americano.

A resposta inicial de Israel foi indiferente.

No entanto, no início de janeiro, um mês após a entrevista ao New York Times, o governo israelense se interessou subitamente nas especulações e no debate sobre uma "opção da Síria".

Diversos ministros disseram que Israel deveria acolher a abertura de diálogo da Síria ou pelo menos não responder com má vontade.

O primeiro-ministro Ariel Sharon sentiu que deveria se demonstrar um pouco mais otimista.

Ele deixou claro que queria paz com a Síria, mas impôs condições duras.

Os sírios primeiro deveriam eliminar suas ligações com o grupo libanês Hezbollah e os grupos palestinos Hamas e Jihad Islâmica – todos acusados por Israel e Estados Unidos de promoverem o terrorismo.

Chances

Há uma possibilidade de que um caminho discreto possa se abrir para que israelenses e sírios avaliem suas intenções.

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Silvan Shalom, revelou que houve contatos indiretos há sete ou oito meses, mas que foram cancelados quando se tornaram públicos.

Mas analistas israelenses acreditam que Shalom esteja apenas fazendo um gesto. Ele não tem interesse em se retirar das Colinas de Golã.

Além disso, ele não aparenta estar sob pressão dos Estados Unidos para reatar as realções com a Síria.

Para a administração de George W. Bush, o ponto principal é saber de que lado a Síria está na "guerra contra o terror".

O presidente americano, assim como o primeiro-ministro israelense, parece estar mais interessado em punir al-Assad do que premiá-lo.

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